25 de Abril 2020: Liberdade só para alguns

Estado de emergência a vigorar até 2 de Maio, data em que será presumivelmente substituído por um estado de calamidade pública. Supressão parcial ou total da liberdade de circulação, da liberdade de reunião, da liberdade de manifestação, do direito à greve, do direito de resistência, do direito de emigração, do direito de iniciativa económica privada. Centenas de pessoas detidas por crime de desobediência.
Selos sanitários em hotéis e restaurantes deixando implícito que os restantes serão pestíferos ou purulentos. Medição de temperatura a futuros clientes à entrada de restaurantes e de trabalhadores nas empresas. Praias com lotação limitada, algo jamais visto neste país, nem sequer em períodos de ditadura. Interdição da prática de cultos religiosos, em flagrante contraste com o culto dos rituais do Estado, que continuam a praticar-se. Perseguição a velhos nos jardins públicos e a jovens surfistas nas águas do mar.
“Cercas sanitárias” decretadas em vários perímetros municipais, mesmo em concelhos com apenas dez casos de infeção por coronavírus detetados. Mecanismos de «reconhecimento facial» em avaliação para possível réplica local dos métodos que já são correntes na China. Câmaras térmicas para detetar trabalhadores com febre. Drones com altifalantes exigindo às pessoas para recolherem a casa, como cães-pastores empurrando ovelhas para o curral.
Desenvolvimento de tecnologias intrusivas para “medir o nível de confinamento e analisar a mobilidade dos cidadãos”. Preparação para a chamada geo-localização de contágios por aplicação em telemóvel. Monolitismo de opiniões, a pretexto da obediência às autoridades sanitárias, transformando qualquer crítica em delito de leso-patriotismo.
Dia da Liberdade e a amarga ironia, com a única deputada independente do parlamento português impedida de falar na sessão solene alusiva ás comemorações. Mesmo que se discorde do seu proceder aquando da sua infeliz intervenção subre o símbolo português à entrada do parlamento, atitude que mereceu a crítica a determinado partido apelidado de “racista” por “democráticos?”, a presença da referida deputada ficou só e muda, como se a dita nada tivesse a ver com as comemorações levadas a cabo por meia dúzia de personagens apelidados como democráticos.
Mas, que diabo, fico sem saber, onde começa e acaba a democracia de certas pessoas que tanto clamam e “defendem” este país sem leme democrático. Será que estou a ser enganado? Defenderei sempre o direito de falar dentro e fora do hemiciclo. Sobretudo quando a causa tem o epíteto Portugal. Surgem as perguntas:
A Democracia Portuguesa é para servir quem? Quem é dono do 25 do Abril? Ferro Rodrigues ou o esquerdismo a cheirar a mofo de gaveta cheia? Atitudes destas só as quero esquecer por vergonha de estar a ser orientado por populismos que se julgam donos disto tudo (DDT). Com máscara ou sem máscara, o Dia da Liberdade é de todos aqueles que recebem a confiança dos eleitores para serem, dignamente, representados na Assembleia da República (AR).  

Manuel Martins

One Response to 25 de Abril 2020: Liberdade só para alguns

  • Como é possível haver alguém como este senhor, que discorda das medidas tomadas até ao momemto pelas nossas autoridades para conter a propagação da pandemia, e se sente agredido por elas ? A este senhor somente podemos dizer o seguinte: economicamente há quem esteja a sofrer,é verdade, mas as economias acabam por recuperar, mas a morte de familiares, amigos e desconhecidos, nunca,mas nunca mais, se recuperam.Prefiro pessoalmente passar algumas privações, mas continuar,apesar de tudo, a ter familiares, amigos e conhecidos, ao nosso lado e com saúde. Sendo assim peço aos nossos governantes: tomem todas as decisões necessárias para preservar vidas humanas, e não escutem vozes como a deste individuo.

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