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“Pirata”: Operação de vigilância “foi mal planeada”

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Um agente da PSP está a ser julgado por ter disparado e matado a namorada de um assaltante durante uma fuga, em 2020, na Avenida do Vale, em S. João da Madeira

O Tribunal de Santa Maria da Feira começou a julgar na última semana o agente da PSP que prestava na altura serviço na Esquadra de Espinho, por suspeito de ter disparado mortalmente sobre a companheira do sanjoanense André “Pirata”, após uma tentativa de furto, em S. João da Madeira.
Bruno Alves tinha sido informado, em briefing, quando chegou à Esquadra da Policia de S. João da Madeira, e antes de avançar para o terreno, com o agente Jorge Marta, que o acompanhou na fiscalização, a confirmar as suspeitas de que “Pirata” seria o principal suspeito dos furtos acontecidos na cidade que se tratava de alguém “perigoso e que andava armado”.
Bruno Alves, que está acusado de homicídio por negligência, explicou perante um coletivo, presidido pelo juiz Carlos Casas Azevedo, que, quando se apercebeu da viatura que era conduzida pelo assaltante, e ao verificar a luz de marcha atrás ligada, em direção ao seu colega que o acompanhava na operação, disparou para impedir que o seu colega fosse atropelado ou que algo lhe acontecesse, caso contrário, “nunca teria disparado”, assumindo ainda que “em momento nenhum” foi sua intenção impedir a fuga.
Os dois agentes partilharam da mesma opinião  em tribunal, ao assumirem que desconheciam que no banco do passageiro seguia a vítima mortal, e ambos alertaram para a falta de visibilidade no local. “As árvores estavam cheias de folhas, e a luz pública é abafada pelas árvores”, tornando aquele local “mais escuro”, fator que impediu os dois agentes de se aperceberem da matrícula da viatura, do rosto do condutor, e se estaria mais alguém no interior da viatura.
O alerta para os agentes deu-se quando o assaltante “desligou as luzes da viatura que conduzia”, ainda se encontrava em movimento, e estacionou o carro junto de duas viaturas de topo de gama. (Jipe e Mercedes)
O barulho do partir do vidro despertou a atenção do agente Bruno Alves que se dirigiu ao assaltante com a arma na mão, tendo gritado várias vezes “Policia. Para. Polícia. Para!”. Assumiu que, nessa altura, fez um disparo para o ar, reforçando por diversas vezes que “nunca” se apercebeu da existência de uma pessoa no lugar do pendura, enfatizando que, nessa altura, o “Pirata” terá direcionado a viatura na direção do colega que já se encontrava nessa faixa de rodagem e que teve de se desviar. O polícia revelou que, ao aperceber-se que a viatura abrandou e ao ver uma luz-branca a acender na viatura era um sinal indicativo que iria fazer marcha atrás, encarando essa manobra como uma ameaça ao colega, e nessa altura que disparou para a traseira direita da viatura. “Foi para parar a ameaça, e resultou”, assumiu, várias vezes, o arguido relativamente aos motivos do tiro. E foi esse disparo que provocou a morte de Inês Carvalho, de 23 anos, que mais tarde foi deixada pelo namorado no Hospital de S. João da Madeira, tendo-se posto em fuga.
O caso remonta à noite de 23 para 24 de setembro de 2020, quando dois agentes da PSP- o acusado (esquadra de Espinho) e Jorge Marta (esquadra de S. João da Madeira) – assumiram a operação de vigilância, após uma vaga de furtos na Avenida do Vale, onde se encontra um condomínio considerado de luxo, e os dois agentes se depararam com a tentativa de André Pirata furtar bens de uma viatura Mercedes aí estacionado.

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