Sociedade

Voltaram os tradicionais jantares e almoços da época aos restaurantes da cidade

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Depois de dois dezembros marcados pela pandemia de covid-19, que limitaram o convívio, regressaram em 2022 os tradicionais jantares de Natal e Fim de Ano aos restaurantes da cidade.

Recorde-se que, no mês de dezembro do ano passado, além das questões do confinamento, existiam as relacionadas com obrigatoriedade de apresentação do certificado de vacinação e testes covid, pelo que eram vários os constrangimentos à prática dos tradicionais jantares ou almoços de natal e fim de ano.
Os constrangimentos da pandemia parecem agora estar ultrapassados, conforme apontam responsáveis de restaurantes da cidade, alguns dos quais indicam, contudo, sentir o impacto da inflação e temer que o mesmo se agrave no início de 2023.

“As pessoas estavam mesmo à espera de fazer jantaradas”

Em 2022, Daniel Sebastião, do restaurante Mutamba, aponta que houve uma retoma, em comparação com o antes da pandemia, fazendo agora um balanço positivo.
“Foi uma altura de muito trabalho, foi uma retoma muito boa, as pessoas estavam mesmo à espera de fazer jantaradas”, diz em declarações a ‘O Regional’.
O responsável diz que a vontade de “jantaradas” era tanta que em 2022 quase que “houve jantares por tudo e por nada”.
Nesse sentido, sustenta também que não notou o impacto da inflação. “Achei que as pessoas esqueceram um bocadinho isso. Se calhar, em janeiro vai-se sentir isso [o impacto da inflação]. Em dezembro acho que o pessoal esqueceu as notícias, e ainda bem”, frisa.
“Tivemos de empresas, mas, a maior parte dos jantares foram de grupos de amigos”, refere, indicando que também houve “vários almoços”, mas a maior parte dos clientes optou por jantares.
No entender de Daniel Sebastião, foi possível recuperar, em termos de números, o que havia antes da pandemia, ou até mesmo ir mais longe: “se calhar, acho que até ultrapassamos”, remata o responsável.

Clientes “queriam preços muito baixos”

Por sua vez, Adélia Soares também faz um balanço positivo dos jantares desta época, reconhecendo que “é tudo muito recente, ainda não dá para falar muito”, pois o restaurante “A Harpa” só abriu este mês sob a sua gerência.
Sendo nova gerente, não tem termos de comparação, todavia, acredita que “sem dúvida” que as pessoas já ultrapassaram as questões relacionadas com a pandemia, incluindo o receio dos momentos de convívio.
Neste espaço sanjoa­nense, aberto ao público no início do mês de dezembro, já houve alguns jantares e almoços, sobretudo de grupos de amigos e colegas de trabalho, conforme informa a responsável.
Questionada sobre se nota o impacto da inflação, a gerente d’A Harpa assente, revelando que os clientes “queriam preços muito baixos” e, nesse sentido, acabaram por fazer escolhas mais em conta.
Apesar de o balanço de dezembro ser positivo, Adélia Soares acredita que janeiro “seja um bocadito mau”, depois dos gastos típicos desta época e tendo em conta o atual contexto de crise.

“As pessoas estão um pouquinho com filtro na carteira”

“Comparativamente ao ano passado, este ano estamos a ter muito, mas muito, mais movimento, não há possível comparação, no ano passado foi muito fraco, com as restrições da pandemia e apresentação de testes”, indica Tiago Campos, d’A Tal da Pizza, ao nosso jornal.
Mesmo no horário de almoço, “este ano estivemos cheios, tem sido uma diferença muito grande”, sendo que agora é “notório” que “as pessoas estão sem medos, sentiam a necessidade de ir comer fora, estarem juntas e vêm ao encontro dos tais jantares de Natal”. Nestes, os públicos mais notórios, sobretudo ao almoço, são de colegas de trabalho, da indústria, tecnologia e do setor do calçado, como aponta. À noite, “são mais grupos de amigos a juntarem-se”.
O responsável explica ainda que a faixa etária dos clientes é sobretudo acima dos 30 anos. “Não sei se será devido ao conceito da nossa pizzaria ser tipo um filtro para os mais jovens, [mas] não temos a perceção de que os jovens se juntem ali”, esclarece.
Um dos aspetos que Tiago Campos realça é que “as pessoas estão um pouquinho com filtro na carteira. Vão, saem, comem, mas, às vezes – não sei se é devido à inflação, a tudo o que se esta a passar – contêm-se um pouquinho”.
“No novo ano, vamos ficar mais atentos também para ver realmente o desenvolvimento, porque a partir de janeiro a realidade muda sempre um pouco em todo o lado, com o aumento dos preços e tudo”, completa Tiago Campos.
Em todo o caso, o responsável deste estabelecimento remata que o mês de dezembro “foi muito bom”. “E ficamos felizes por as pessoas estarem mais libertas dos medos que tinham na pandemia”, conclui.

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