Sociedade

“Há na cidade pessoas que necessitam dos bens deste frigorífico porque não têm outra forma de se alimentar”

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O Frigorífico Solidário, instalado no Centro Coordenador de Transportes e na Biblioteca de Fundo de Vila, chegou à cidade há quatro anos e continua a mobilizar pessoas que se vão alimentando com os produtos ali colocados.

A ideia há muito que foi testada em países menos desenvolvidos, como a India, e parece ter resultado, o que também se tem verificado em S. João da Madeira. O Frigorífico Solidário chegou à cidade em dezembro de 2018, e o conceito passa por envolver a comunidade no apoio aos mais necessitados, com a colocação de produtos, que ali ficam acessíveis a todos.
Um frigorífico solidário, “de portas abertas a quem precisa”, partiu de Joana Correia, diretora do Centro Humanitário da Cruz Vermelha de S. João da Madeira (CVSJM), e colocado em prática pela Junta de Freguesia, por ter sido um dos projetos vencedores do Orçamento Participativo.
Numa cidade com “pobreza envergonhada”, onde ainda há pessoas que “mostram resistência” em procurar ajuda alimentar, permite que ninguém saiba quem abre as portas do frigorífico, e muito menos se aperceba se estão a retirar ou a colocar alimentos.
São dois os que estão disponíveis na cidade. Para ter acesso ao primeiro, basta descer as escadas do Centro Coordenador de Transportes, em S. João da Madeira, para dar de caras com o frigorífico e com painéis informativos que explicam o conceito. O segundo está na entrada da Biblioteca de Fundo de Vila, e ali também qualquer pessoa pode deixar comida para que quem precisa.
Joana Correia assegurou a ´O Regional’, que não há “qualquer contabilização dos produtos que ali são colocados pela instituição no frigorífico”. Aquilo que garante é que a “periodicidade é praticamente a mesma”, uma vez que, além das pessoas anónimas que ali deixam alimentos, a CVP conta ainda com o apoio da Missão Continente que também permite abastecer todas as semanas os frigoríficos, revela.
Iogurtes, manteiga, queijo, fiambre, leite bolachas, cereais, compotas, legumes e fruta enchiam o frigorífico solidário do Centro Coordenador de Transportes, na última sexta-feira, à hora do almoço. A meio dessa tarde, já se verificavam a falta de alguns alimentos.
A responsável da Cruz Vermelha não gosta de falar de “pobreza escondida” de quem ali procura alimentos, já que os “maiores utilizadores estão identificadas”, e são os “sem-abrigo ou pessoas que vivem em pensão e não têm a possibilidade de cozinhar”, recorrendo a estes dois locais.
No entanto, Joana Correia admite que este conceito foi pensado “precisamente para combater a pobreza envergonhada”, mas o projeto pretende “não fazer esse controlo”, permitindo que as pessoas se “automobilizem, no sentido de ajudar os outros sem qualquer julgamento, e que não se estigmatizem ao procurarem essa ajuda”, enfatiza.
“Felizmente, continuamos a ver o frigorífico vazio, ou parcialmente vazio, sempre que o vamos reabastecer, o que significa que alguém está a usufruir do apoio prestado. Vamos acreditar que será quem mais precisa”, mas este frigorífico se for usado por quem realmente não precisa, mesmo assim, “o risco vale a pena”.

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