Educação

“Trata-se de escola que se “transforma” na oferta do território

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João Costa foi conhecer e inaugurar as obras de implementação do novo edifício e das suas oficinas requalificadas da Serafim Leite, “uma escola que se transforma” na oferta do território que viu aprovadas duas candidaturas ao PRR.

O ministro da Educação disse em S. João da Madeira que a “escola Pública está de boa saúde”, dando como exemplo “não só as instalações” da Escola Secundária Dr. Serafim Leite, mas também as duas candidaturas recentemente aprovadas ao Plano de Recuperação e Resiliência, e que vão permitir um investimento de 3,3 milhões para a instalação de um Centro Tecnológico de Especialização CTE) em Informática e de um CTE Industrial.
João Costa marcou presença na inauguração das obras de implementação do novo edifício e das oficinas requalificadas, que decorreu na última sexta-feira, dia 16, assumindo que se trata de uma escola que se “transforma na oferta do território”, dando resposta ainda às necessidades das empresas e à dos alunos. “Permite uma educação mais moderna, mais adequada aquelas que são as condições formativas de quem não tem apenas que saber coisas, mas fazer, trabalhar em projetos, em equipa, criar e planificar uma saúde e vitalidade nos projetos”, que garante existirem nesta escola.
Com um investimento de três milhões de euros, com financiamento em 85 por cento pelo Portugal 2020, foram reabilitadas e modernizadas as antigas oficinas laboratoriais, com a edificação de um novo bloco de três pisos, que vem potenciar o ensino profissionalizante, mas também as áreas da eletrónica, da mecatrónica, da informática e das artes audiovisuais. Foram criados cinco núcleos laboratoriais, com gabinetes de apoio ao professor, ferramentarias e espaços de arrecadação.
O ministro falou da descentralização. “Este foi o primeiro ano letivo que todos os municípios” assumiram competências na área da educação. Um ano que arrancou com “enorme tranquilidade, o que significa que esta transição foi feita sem dramas, com uma grande competência e capacidade por parte dos municípios, em articulação com os serviços regionais e centrais” do ministério da educação e das autarquias.
António Leite, secretário de Estado da Educação e João Gonçalves, Delegado Regional de Educação da Região Norte da DGEstE, Luís Lobo, Delegado Regional da DGEstE, representantes de escolas de S. João da Madeira, vereadora da Educação do município, Irene Guimarães, acompanharam a presença do ministro a S. João da Madeira.

“A Serafim Leite continuará a desempenhar um excelente papel”

“Mais do que a inauguração de uma obra, para a comunidade serafina, trata-se da concretização de um sonho almejado e acalentado há mais de uma década”, disse Helena Resende, diretora do agrupamento, assumindo tratar.se de um dia “importante”, que “ficará para a historia da escola”. Enalteceu a arquitetura “belíssima” do edifício, assumiu que o dia permitiu celebrar o “presente com um olhar no futuro”.
A responsável aproveitou a presença do ministro para garantir que a Serafim Leite prosseguirá a desempenhar “um excelente papel a nível local, nacional e internacional”. “A escola vai continuar como uma escola inclusiva, diferenciadora, com vista à equidade, assegurando sempre uma aprendizagem de qualidade”, e salientou a “união de esforços” de toda a comunidade escolar.
Helena Resende anunciou que a escola manterá os “três pilares da Educação”: O do aluno à saída da Escolaridade Obrigatória, o estipulado no decreto-lei 54 de 6 de julho de 2018, que estabelece o regime jurídico da educação inclusiva e a Estratégia Nacional de Educação para a Cidadania, de forma a desenvolver em “todos os nossos alunos valores e competências que os prepare para enfrentar os desafios e as imprevisibilidades do século XXI”, enfatizou.

Ministro vaiado por professores à chegada
Veio inaugurar a requalificação do bloco das oficinas da Escola Básica e Secundária Dr. Serafim Leite em São João da Madeira e foi recebido por uma onda de protestos. Sem se dirigir aos professores, João Costa entrou nas instalações da escola, onde foi contemplado com música e dança, mas a música dos professores, no exterior, era outra.
O ministro da Educação mostrou-se surpreendido com a greve dos docentes em curso, alegando que a mesma acontece “em pleno processo negocial” com os sindicatos, “o que não deixa de ser estranho”, considerando mesmo a existência de “vários processos estranhos neste processo” que passam por “mentiras, que eu já as desmenti várias vezes”, enfatizou. Em declarações aos jornalistas, após ter sido vaiado por dezenas de professores, ao chegar à Escola Serafim Leite, o governante referiu-se a uma “guerra de sindicatos”, para alegar que os representantes dos professores não estão todos unidos nos protestos, assegurando que “o governo está de boa-fé nas negociações”, assegurou.
Referindo-se à greve em curso, desde nove de dezembro, convocada pelo Sindicato de Todos os Professores (S.TO.P.), o ministro acusou o dirigente sindical André Pestana de mentir, garantindo que não há qualquer processo de municipalização da contratação de professores.
Lília Gomez, era uma das vozes descontentes na manifestação que juntou essencialmente docentes das escolas de S. João da Madeira e de Oliveira de Azeméis. “Se queremos lutar por uma escola pública e se não tivermos dignidade enquanto profissão, acabamos por falhar enquanto professores”, disse aos jornalistas.
A docente de português e inglês anunciou que, mais do que uma inauguração de uma estrutura, “é importante” que o governante entenda que a escola não é composta apenas por paredes e tecnologia. “É constituída essencialmente por pessoas”, defendendo que a manifestação é “fruto da indignação provocada pela incapacidade dos sucessivos ministros ouvirem quem nela trabalha. É preciso dignificar a carreira de professor, investindo na qualidade humana do ensino público”.
Por sua vez, Carlos Fernandes, professor de educação física, defendeu a união dos professores pela escola pública. “Está na altura de dizer basta. Estamos muito preocupados com o futuro” referindo mesmo que o despacho que saiu “numa altura em que ainda decorrem as negociações é mesmo de mau tom”, e rematou afirmando que “alguma vez nesta luta o ministro vai ter de nos ouvir”, atirou o docente.
Lembre-se que o S.TO.P anunciou, na última semana, uma greve para todo o mês de janeiro, como forma de protesto pelas últimas decisões do Governo, nomeadamente a transferência da Educação para as Comissões de Coordenação e Desenvolvimento Regional (CCDR).
O despacho do Conselho de Ministros n.º 123/2022, publicado na quarta-feira, determina a transferência, a partilha e a articulação das atribuições dos serviços periféricos da administração direta e indireta do Estado nas comissões de coordenação e desenvolvimento regional.

 

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