Sociedade

“Se tu acreditas no Pai Natal, é porque ele existe”

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Aquele velhinho barrigudo de fato vermelho e barbas brancas que costuma entregar presentes na noite de Natal já anda há semanas a alimentar o sonho de muitas crianças. Fomos ouvir quem sente e espera pela sua chegada.

Lorena Ferreira Jesus, de seis anos, escreveu, no início do mês, a carta ao Pai Natal. Colocou a carta no correio e diz que já chegou à Lapónia. “Quero que ele me traga uma boneca que chora, chocolates e roupa nova”. Confessa, a ´O Regional, que o homem de barbas brancas tem vários filhos que o ajudam na distribuição dos presentes. “Ele recebe muitas cartas e não pode entregar a todos”, assumindo que “entra pela chaminé enquanto os meninos estão a dormir e outros batem na porta e deixam ficar as prendas, mas eu nunca vi as renas”. A família de Lorena mantém viva a tradição da época.

Lorena Ferreira, de seis anos colocou a carta no correio e diz que já chegou à Lapónia

Lilibete Matias, quer que a filha “descubra” naturalmente a verdade. E recordando a sua infância, lembra que já há 41 anos ouvia os amigos dizerem que o Pai Natal “era uma mentira dos pais”. E, na altura, até chegou a questionar: “Ó mãe, o Pai Natal existe mesmo?” E recebia sempre a mesma resposta: “Se tu acreditas no Pai Natal, é porque ele existe”. Uma “mentira saudável” que acompanhou Lilibete Isaura até aos 10 anos. Hoje, adulta, reforça que “não há problema nenhum em alimentar a fantasia. É bom para as crianças”. É uma história de “fantasia, e de um o mundo imaginário que deve ser vivido por todos. Faz parte da realidade infantil, do mundo das crianças”, revela.
Por sua vez, Fernando Silva, do Lugar do Parrinho, lamenta que muitas vezes a “magia” se perca e “por culpa dos adultos. Ou porque o colega da escola revelou o que não devia, ou porque um adulto não conseguiu guardar segredo”, ou mesmo porque as crianças começavam a desconfiar que alguém antes do Pai Natal chegar se ausentava do local. Este sanjoanense diz a hora das prendas “sempre foi o momento alto” para as crianças desta família. “A minha filha e sobrinhos ficavam tão fascinados com a presença do Pai Natal que entrava na sala com um saco cheio de brinquedos, e nunca se aperceberam em sinais evidentes de que era eu que ali estava disfarçado”. Com cerca de nove anos questionou o Pai Natal numa entrega de presentes: “Tens um relógio como o do meu Pai”, ficando nessa altura “já meia desconfiada”, remata Fernando.

Primos contam os dias para o Natal

Clara Costa

Aos olhos da Clara Costa e do Thiago Jesus, primos, de sete anos, este Natal vai ser especial. Já estão cheios de energia com a chegada desse dial. “Estou a contar os dias”, diz Clara, enquanto come mais um chocolate do seu calendário do advento, que avó ofereceu há alguns dias.  Este ano está ser especial, Thiago prepara-se para ir cantar a um lar de Idosos, e “por isso quero ser um anjo afinadinho”,conta a ´O Regional’.
Os primos quase já nem se lembram que os últimos natais foram atípicos. “Este ano a árvore de Natal tem bolinhas novas, diz Clara sorridente. Thiago confirma. “Esta árvore está encantadora. O que gosto mais são das luzes a piscar e da ideia do Pai Natal nos visitar. Vou mesmo ficar acordado para o ver chegar”, diz convicto Thiago, que já treina músicas Natalícias na guitarra.
Sentados juntos da árvore, perguntámos como vai ser o Natal lá em casa. Thiago é o primeiro, com a resposta pronta na ponta da língua. “Este ano o avô já está connosco, já não temos de esperar pelo regresso dele da Suíça, o que nos deixa tão felizes”, diz o menino, convicto de que os presentes chegarão, mesmo sem os chocolates suíços, que conhece desde que nasceu.

Ó pai, o Pai Natal existe mesmo?”

Quanto questionamos estes dois primos sobre o que é afinal o Natal, a resposta surge de forma criativa. Clara explica a ´O Regional’ que é a história de um menino que nasce, sem roupas, dentro de uma cabana e tem o pai José e a Maria junto dele. Os animais estão lá para ajudar. Por isso, é um dia de celebrar o Natal, nascimento desse menino chamado Jesus. Mas eu já perguntei: Ó pai, o Pai Natal existe mesmo?” e ele diz que sim”.

Thiago Jesus

O Thiago, por sua vez, avança que na árvore tem lá todas as personagens da história que a Clarinha contou, e que também colocaram uma estrela brilhante, para que o “Mundo se ilumine da magia do Natal. E que, hoje, Jesus é maior estrela no céu, a que brilhar mais alto e forte”.
Quando o assunto são iguarias os sorrisos aumentam. A Clara quer um tronco de Natal, que é um dos seus bolos preferidos. O Thiago explica que a aletria é boa sem canela, e rabanada só gosta de comer às vezes. “Este ano vou experimentar tudo”. Isto porque Clara e Thiago passam sempre o Natal juntos na casa dos avós maternos.
Deixamos o assunto favorito para o final da conversa. Afinal o que é que ambos escreveram ao Pai Natal para receberem, daqui a uns dias? Sabem que o homem de barbas brancas vem da Lapónia, com o seu trenó e com o seu fato vermelho, e mesmo sendo velhinho é forte e não precisa de ajuda para caminhar. O Thiago completa a ideia da prima, dizendo que o trenó é de alta velocidade, e que a rena Rodolfo tem uma lista de presentes e dos meninos a quem têm de entregar. “O Pai Natal deve estar com imenso trabalho, nestes últimos dias”, e os primos queriam ajudá-lo a embrulhar tudo...
Quanto aos presentes habituais, Thiago, deseja uns super heróis para finalizar a coleção, enquanto Clara prefere uma boneca e vários livros. E para que outras crianças possam ter presentes, os primos explicaram a ‘O Regional’ que vão fazer como nos anos anteriores, verem os brinquedos e fazerem uma seleção que, juntamente com roupas e calçado que já não usam, vão ser entregues a uma instituição “para que outros meninos possam ficar felizes também”, remataram.

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