Opinião

É Dezembro!

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O mês dos reencontros familiares e dos beijinhos aos avós e aos tios, aos primos e aos primos dos primos. Das rabanadas de sobremesa e dos filmes de domingo à lareira.

Chegou o mês das temperaturas de 9º em São João da Madeira e dos corações dos Sanjoanenses a 30º. Chegou o mês das decorações de Natal por toda a cidade e da pista de gelo na Praça. O mês que as castanhas assadas do Sr. Alberto sabem a conforto depois de um dia de ofícios a caminho de casa.
O mês dos reencontros familiares e dos beijinhos aos avós e aos tios, aos primos e aos primos dos primos. Das rabanadas de sobremesa e dos filmes de domingo à lareira.
É também o mês do regresso dos jovens que foram para a faculdade fazer-se à vida – e fazer-se à cerveja. Regressam a casa dos pais, onde, receiam ter de voltar a viver um dia, um medo alimentado todos os dias, sendo que só ouvem falar na inflação, na falta de emprego em Portugal e na pobreza crescente do país que torna mais fácil a opção de eventualmente sair. Segundo o Eurostat (em 2021), a média europeia é sair de casa dos pais aos 26,5 anos, um ano mais cedo se forem mulheres.
Já em Portugal a situação é diferente, é o país da União Europeia em que os jovens saem mais tarde de casa, só aos 33,9 anos é que os jovens portugueses apresentam liberdade financeira suficiente para se fazer à vida- ou ao resto dela.
Os tempos são outros e nós sabemos bem disso. Crescemos a ouvir “- Olha, no meu tempo o meu pai já me tinha mandado para a fábrica trabalhar!” Agora, quer-se sair de casa dos pais para ir estudar, porque nos foi dada essa oportunidade, porque da nossa geração é esperado muito, como é sempre das gerações mais novas, o tão esperançoso “é desta!”. E o jovem de hoje é incerto dado a do mundo. É nos traçado esse caminho, de estudar e arranjar emprego, para construir uma vida, mas não nos garantem que arranjemos emprego ou cheguemos a construir essa tão imaginada vida de filmes de domingo em frente à nossa lareira.
O desdenho de não querer voltar a casa dos pais, não é, necessariamente, por o cenário ser mau, mas sim pelos motivos que levam a tal. Perde-se o sentimento de independência e tira-se o tapete à hipótese de nos tornarmos autónomos financeiramente e podermos começar a traçar o nosso próprio rumo. Vive-se com a incerteza do futuro, num presente competitivo, que veio de um passado de indústria marcado pelo trabalho. Ter de voltar implicaria começar uma vida familiar mais tarde, implica passarmos mais 10 natais em casa dos nossos pais antes de podermos ser nós os anfitriões.
E por isso, no conforto das nossas famílias, o que pedimos ao Pai Natal é que nos diga que vai correr tudo bem. E vai acabar por correr tudo bem! Estas incertezas e dúvidas que propagam na nossa geração, já a geração dos nossos pais e avós passavam, lá à sua maneira. A única diferença é a de não sermos tão bons a fazer as rabanadas e as filhoses!

 

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