Sociedade

Há cerca 30 de pessoas com deficiência visual na cidade

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Às escuras. É como vivem diariamente os portadores de deficiência visual. Sujeitos a passeios esburacados ou automobilistas inconscientes. Rejeitados, muitas vezes, por uma sociedade que “ainda” os olha de lado.

Em S. João da Madeira, há cerca de 30 pessoas com deficiência visual, que se juntam às cerca de 450 de todo o distrito, segundo dados recentes da Associação dos Cegos e Amblíopes de Portugal.
São pessoas que têm que reaprender a ser autónomas num mundo que, muitas vezes, é um grande obstáculo e cheio de limitações.
No Dia Internacional das Pessoas com Deficiência, que se assinalou no último sábado, dia 3, conversamos com Vítor Ferreira, cego há 49 anos Tantos quantos tem de vida. E as esperanças de voltar a ver, confessa com os ombros encolhidos, já não o aquecem, nem arrefecem. “A minha cegueira é total e irreversível. É um problema congénito, de nascença. Não existe mais ninguém invisual na minha família”. Por isso, Vítor está mais do que convencido que tem que continuar a levar a vida em frente. Só que mais devagar. “O dia a dia de um cego está sempre cheio de obstáculos, é uma encruzilhada que pode ser fatal. Não possui mobilidade para se deslocar sozinho na rua”. Esse também é um dos maiores obstáculos de Vítor, que apenas é ultrapassável com ajuda da bengala que o guia até à Biblioteca de S. João da Madeira, local onde trabalha, no Centro de Leitura Especial (CLE), desde setembro de 2007. O CLE foi criado no âmbito de um Programa da Fundação Calouste Gulbenkian, que apoiou este projeto com cerca de 20.000 euros, além de uma percentagem assegurada pelo município sanjoanense.
À conversa com ´O Regional’, Vítor nomeia um vasto leque de problemas com que os “cegos” se debatem diariamente no mundo “assassino” das ruas. A começar pelos automobilistas que deixam, várias vezes, os “carros em cima dos passeios que dificultam mesmo aqueles com mobilidade reduzida”. Depois, lembra, incomodado, as situações “horríveis de atropelamento”. Ele próprio já foi atropelado duas vezes, porque os condutores não “pensam que as pessoas são cegas e que têm que ter cuidado”.

Poderá ter acesso à versão integral deste artigo na edição impressa de 8 de dezembro ou no formato digital, subscrevendo a assinatura em https://oregional.pt/assinaturas/

 

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