Sociedade

Anunciado projeto para nova Unidade de Cuidados Continuados

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Sob a presidência de Castro Almeida, reuniu-se no dia 28 de novembro findo, a assembleia-geral da Santa Casa da Misericórdia

A esperança do Provedor: que não sobrevenham fatores extraordinários

Sob a presidência de Castro Almeida, reuniu-se no dia 28 de novembro findo, a assembleia-geral da Santa Casa da Misericórdia, convocada para votar o plano de atividades e o orçamento para 2023. Coube ao Provedor, José Pais Vieira, fazer a intervenção de fundo, momento em que esperançou “que o próximo ano não traga novas grandes surpresas”, aludindo à denegação dos pressupostos dos dois últimos orçamentos, advinda de eventos imprevisíveis, a declaração pandémica e a elevada inflação, levando ao seu incumprimento. O Provedor sublinhou a recuperação da frequência em “quase todas as 31 respostas sociais”, advérbio que excecionou os Centros de Dia e os Pré-escolares, apesar destes sofrerem mais da concorrência do ensino público do que da pandemia. A recuperação da frequência e o crescimento do número de respostas sociais – com a instalação do polo de Nogueira do Cravo –, sustenta a estimativa de superação dos de € 8.000.000 de ganhos em 2023, limiar nunca superado na história da instituição. Para este marco concorre, também, a expectativa do crescimento do número de crianças em Creche, impelida pela universalização da gratuitidade da frequência e, ainda, pelo aumento da capacidade instalada. O primeiro fator procede de uma política pública enquanto o segundo decorre da estratégica de investimentos da Mesa Administrativa: no caso, a instalação de mais 40 lugares na Creche do Abrigo Infantil das Laranjeiras (AIL). São estes dois fatores, as políticas públicas e a estratégia de investimentos da instituição, os que mais condicionam e formatam o plano de atividades.

Da cessação de apoios financeiros ao risco do Centro de Acolhimento

As políticas públicas prevalecem, ainda, na área da intervenção comunitária da instituição. Na sequência da assunção (pelo Poder Local) do Atendimento e Acompanhamento Social, as respostas sociais da Misericórdia cessaram o apoio financeiro que prestavam a cidadãos, destinados a habitação, a regularizar contas com consumos de água, energia, medicação, entre outros: o Centro Comunitário reorientou-se para a gestão de recursos sociais como a lavandaria e o balneário, a distribuição de alimentos e refeições, e para a capacitação de pessoas em situação de precariedade. Já o Trilho viu subtraído o apoio a seropositivos, e acrescentado o apoio a pessoas sem-abrigo/ sem teto, pela gestão de apartamentos partilhados. A última condicionante das políticas públicas, e porventura a mais preocupante, é a alteração da hierarquia das medidas de proteção de crianças em risco, preferenciando-se a colocação familiar em desfavor da institucionalização, tendência que pode colocar em causa a atividade normal do Centro de Acolhimento Temporário, que a Misericórdia gere desde há 30 anos.

Sem receio de ser pioneiro: o código genético da Misericórdia

O segundo fator maior do plano de atividades está na estratégia de investimentos. O Provedor anunciou a vontade de aumentar “em 20 camas, o Lar Dra. Leonilda Matos, em 6 camas, o Lar Residencial, e a construção de nova Unidade de Cuidados Continuados, com 60 camas”, conjuntamente à referida ampliação da Creche do AIL. A Unidade de Cuidados Continuados absorve a maior parte da despesa de 3,8 milhões de euros estimada em orçamento de investimentos, consistindo na edificação de um edifício no terreno do hospital, com capacidade para 64 camas, tendo o gabinete de arquitetura sido escolhido após concurso de ideias. O projeto aguarda por apoios financeiros, sendo estruturante para a atividade da Misericórdia e para a própria cidade, pelo papel que terá no sistema de saúde num contexto de envelhecimento demográfico, e pela concentração de técnicos superiores entre os profissionais, qualificando a oferta de trabalho na cidade, como inferiu o Provedor: “está no código genético desta Misericórdia, herdado da boa tradição sanjoanense, estar sempre a querer melhorar, andar à frente dos outros, não ter receio de ser pioneiro, e encarar as dificuldades como possíveis oportunidades”.

Gestão da Misericórdia ganha 1.º lugar no “Prémio CUF Inspira”
Antes da intervenção de fundo, o Provedor anunciou a classificação da Misericórdia em 1.º lugar no programa “500 Miles”, da CUF e Fundação Manuel Violante, declarada em sessão pública realizada no Hospital da CUF na tarde desse mesmo dia, 28 de novembro. O programa distinguiu a implementação de processos de gestão e mudança organizacional relevantes, tendo sido avaliadas 19 instituições de economia social de todo o país.
No 2.º e 3.º lugares ficaram, respetivamente, a APELA - Associação Portuguesa de Esclerose Lateral Amiotrófica, e a Cáritas de Santa Maria. A decisão foi tomada por um júri composto pelas instituições citadas e, ainda, pelos representantes dos programas Gulbenkian para o Desenvolvimento Sustentável e Leadership for Impact Knowledge Center da Nova SBE. Pelo 1.º lugar a Misericórdia receberá um prémio de € 5.000,00.

 

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