Sociedade

“Ainda há uma determinada barreira com pessoas oriundas de outros países”

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Temas como a imigração, racismo, bullying, exclusão e inclusão social foram abordados por alunos das escolas de S. João da Madeira, que se reuniram nos Paços da Cultura, por ocasião da comemoração do Dia Internacional da Cidade Educadora

Apesar de algum progresso, parece que há ainda um longo caminho a percorrer. O domínio da língua portuguesa, racismo, bullying a dificuldade em criar grupos de amigos são alguns dos obstáculos de quem chega a S. João da Madeira e aqui encontra uma nova vida.
Estas foram algumas das conclusões do encontro que juntou cerca de uma centena de alunos e professores das escolas secundárias Dr. Serafim Leite, João da Silva Correia, Oliveira Júnior e Centro de Educação Integral, no Dia Internacional das Cidades Educadoras, que se assinalou na última quarta-feira, dia 30. O debate teve como ponto de partida os testemunhos de seis jovens que, por circunstâncias da vida, chegaram à cidade para viver e estudar.
No palco do Auditório dos Paços da Cultura, Joana Martins, radialista e moderadora, e ois alunos portugueses juntaram-se jovens oriundos de países diversos como Brasil, Venezuela e Ucrânia, que ali debateram assuntos como a imigração, racismo, bullying, exclusão e da inclusão social.
Os oradores consideram que, apesar S. João da Madeira ser uma “cidade que sabe receber” há ainda “determinados comportamentos de “muitos jovens” e de pessoas com “maior idade” que não mudam e, muitas vezes, a frase –“Vai para a tua terra, porque não percebo nada do que dizes” continua a soar em “pleno século XXI”.
Miguel Silva, 17 anos chegou do Brasil há cerca de oito meses. O sorriso no rosto deste estudante da escola João da Silva Correia esconde e supera, em simultâneo, o bullying” que viveu ao longo da vida. “Já fui vítima, sim. Fiquei mal com a situação, não falava com ninguém, isolei-me de tudo e pensei muitas vezes se o problema, na verdade, não seria meu, uma vez que as pessoas fazem bullying com a simples aparência, o andar, o falar (…)”. Perante estas situações, é necessário “intervir e denunciar, porque não se justificam estes comportamentos no século em que estamos”, acrescenta, por sua vez, Ivanna Ortiz, da Venenzuela.
O jovem sanjoanense Pedro Xara alerta para a educação que as pessoas recebem em casa, e que “muitas vezes influencia” muitos destes comportamentos. Este estudante do10.º ano da Escola Oliveira Júnior já assistiu a situações de bullying, e ele próprio também já as viveu. “Fui considerado por muitas pessoas não muito normal”. Infelizmente, muitas pessoas, quando veem algo que não seja o padrão normal das coisas “misturando-se as intenções”, e surgem “comentários desnecessários”, que são entendidos por muitos que os fazem “mal nenhum em dizer”, enfatiza.
Bernardo Fonseca, da escola Serafim Leite, é um jovem otimista e assumiu que, desde muito cedo soube lidar com comentários que foi vítima, desde muito cedo. “Pura chacota. Ele gosta de ir à missa, anda no parlamento jovem, o que é que eu vai resolver…”.

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