Opinião

Hortalices - Os perfumes da horta

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No primeiro dia de chuva, após a longa seca que passou por nós, alguém escrevia, numa rede social, que tinha ido à rua, apenas para sentir o cheiro da terra molhada. A terra tem cheiro e cheiros. Quando à nossa volta cortam erva, ou feno, ou milho, percebemos-lhes os cheiros. As plantas querem dizer que estão ali e, ao despedirem-se da terra, exalam o seu perfume para que as percebamos.
Mas há quem pense que a horta e a terra são territórios de maus cheiros. Lembram-se logo do esterco, do estrume, dos excrementos dos animais e de outras realidades a que convencionamos chamar de “malcheirosas”.  Se, como na caverna de Platão, não tivéssemos conhecido outros cheiros, provavelmente cheirar-nos-iam a Chanel nº 5, a Yves Saint Laurent ou a Dior. Tudo é relativo, diria Einstein.
O facto é que a terra e os seus infetos fertilizantes se transformam, por artes alquímicas, em plantas aromáticas, agora tanto na moda e nas prateleiras dos supermercados. Há dias, vi, num supermercado, uma caixinha com 20 gramas de folhas de loureiro, que custava a módica quantia de 1,49 €. Atrás de minha casa há quatro ou cinco loureiros camarários. Cada um deles deve ter uns milhares de folhas. O senhor presidente da Câmara saberá da fortuna que ali está exposta, ao sol e à chuva?
Na minha horta também tenho aromáticas: hortelã para a canja de galinha e os maranhos, poejo para as sopas de bacalhau, coentros e salsa para todos os pratos, orégãos para as azeitonas, tomilhos vários, entre os quais o tormentelo, para pratos de carne, erva-cidreira e erva-príncipe para chás…
Que as aromáticas são uma ótima solução para temperar alimentos já os nossos antepassados sabiam e dizem-no agora os nutricionistas. Mas não se pense que estas ervas servem apenas para a satisfação das necessidades corporais. Também as há para as coisas do sobrenatural.
À cautela, tenho também na minha horta algumas plantas de arruda… Eu não acredito em bruxas, mas…nunca fiando!

PS: Não sei dos cheiros cogumelos, mas sei do seu visual: por isso, recomendo vivamente uma visita à exposição “Os cogumelos do Parque”, da autoria do meu amigo Eduardo Duarte, na Casa da Natureza do Parque do Rio Ul.

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