Há 100 anos n' O Regional...

Há 100 anos n’O Regional...

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“Outono triste, / Lá vem, lá vem.../ Nada resiste / Ao seu desdém / Se não ouviste, / Ouve também / O som tam triste / Que as folhas teem. / Na correria / Da ventania / Sem compaixão, / Morrem, coitadas, / Sêcas, moradas, / Por esse chão”, escreveu Álvaro da Silva e Souza, no soneto publicado n’O Regional’ em outubro de 1922.
Neste mês, o jornal começa por destacar a sua gratidão para com uma outra publicação da capital, “A Pátria”, “pelo carinho e zelo com que se tem ocupado nas suas colunas dos progressos e melhoramentos” de S. João da Madeira.
Conta, o mesmo texto, na capa da edição de 8 de outubro, que J. Tavares Valente esteve no gabinete do ministro do Trabalho “com o filantrópico fim de coadjuvar o justo apelo feito a sua exª em ‘A Pátria’” para ajudar o Hospital “monetariamente”.
Diz ainda o jornal saber que a mesa da Santa Casa convidara o governante para a abertura solene do Hospital, como “justo reconhecimento” pela “boa vontade que mostrou em atender o apelo que lhe foi dirigido”.
A mesma edição dá também nota de que foi assinalada a data de 5 de outubro, no posto local da Guarda Nacional Republicana.
Por sua vez, Manoel Guerra queixa-se da distribuição das cartas.
E, na edição seguinte, de 22 de outubro de 1922, Firmesa vem publicar um texto na primeira página, apelando à nomenclatura das ruas e numeração dos prédios.
“Muita vantagem haveria em dar nomes às nossas ruas e números aos prédios; far-se-ia, assim, o serviço com mais rapidez e mais perfeição”, considera o autor, remetendo para os “pobres dos distribuidores” do correio, que, muitas vezes, tinham de andar à procura das pessoas e das respetivas moradas, nem sempre conhecendo o destinatário.
O artigo lembra ainda avisos e pedidos feitos, inclusivamente nas páginas do jornal, e que tiveram sucesso, acreditando que o mesmo acontecerá com esta situação. “Pugnamos pela regularização na entrega dos telegramas e obtivemo-la; lutamos pela melhoria no serviço de expedição de encomendas postais e conseguimo-lo a ponto de já se não verem as intermináveis procissões de mulheres de Oliveira de Azeméis, Feira, etc; combatemos em prol do aumento do pessoal interior do nosso correio e vimos a nossa reclamação atendida”, sustenta.
Para a concretização de mais este objetivo, é chamada, pelo autor, a ação da Associação Industrial e Comercial, “já que da Junga da Paroquia ninguém ouve falar e raríssimos sabem onde para”.
A segunda edição deste mês dá ainda nota do nono aniversário do falecimento de Francisco José Luiz Ribeiro. “Tem hoje pouco quem recorde a sua data fúnebre, não obstante estarmos em vésperas de usufruir dos benefícios do seu altruísmo e da sua abnegação”, lê-se no jornal, que, por sua vez, “presta homenagem de saudade à memória de Francisco José Luiz Ribeiro – alma simples de virtuoso obscuro que aí tem por monumento – grande monumento – um hospital”.
Num passeio pela imprensa da época, esta edição d’O Regional’ dá ainda nota do início d’A Voz do Povo’, em Lisboa, e do ‘Correio de Azeméis’, em Oliveira de Azeméis, “órgão do partido democrático, que se apresenta com muito bom aspeto”.
Por outro lado, suspenderam a sua publicação o quinzenário de Oliveira de Azeméis ‘O Radical’ e ‘O Despertar’ do Pinheiro da Bemposta.
É ainda feita uma menção a assaltos em jornais como ‘A Palavra’ e ‘O Correio da Manhã’. “Num país que se diz civilizado como o nosso, não se devem consentir taes abusos, que só nos desprestigiam lá fora”, aponta ‘O Regional’ nessa mesma edição.
N’O Regional, há 100 anos, era assim.

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