Opinião

A Iniciativa Liz, a Pobreza e o Relógio Parado

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O Reino Unido, país que muitos acham ser a democracia mais perfeita do mundo, não pára de nos surpreender desde os anos 80 do século passado – pela negativa, acho eu.

Durante um período de mais de 20 anos, o Estado Social foi levado por um rumo liberal, mutilando: a educação, a saúde, a habitação, a segurança social, etc. Tudo o que dava para «aliviar» o Estado, foi passado a pataco para o sector privado. A Baronesa Thatcher, foi a sua inspiradora e fundadora, mas não esteve só nesta patranha, John Major, seu correligionário deu-lhe seguimento.
Quando, em 1997, os trabalhistas (leia-se socialistas), ganharam as eleições no Reino Unido, as pessoas de esquerda, da mais moderada à mais consequente, esperavam uma reversão das malfeitorias que os conservadores tinham produzido na generalidade dos serviços públicos. Por incrível que pareça, quase nada foi corrigido. Os trabalhistas, que na oposição tanto tinham reclamado contra os seus rivais, chegados ao poder, primeiro com Tony Blair e depois com Gordon Brown, durante treze anos, apoiaram e consolidaram o Estado Social amputado e formatado pelos seus velhos «inimigos».
Em 2010 os conservadores voltaram e trouxeram para as terras de sua majestade uma constante desvalorização do sistema democrático, onde o populismo foi crescendo até chegar às palhaçadas e mentiras de Boris Johnson. Noutros tempos, a consequência de tanta irresponsabilidade, seria, eleições gerais antecipadas, mas nos tempos actuais, conseguiram promover a Iniciativa Liz Truss, receita de uma senhora determinada a defender os interesses do capital financeiro, com um plano ultraliberal, carregado de borlas fiscais para os mais ricos.
Face ao esmagamento da receita liberal LIZ, é de esperar que os «nossos» liberais, sempre a reclamar contra o socialismo dos impostos, e contra todos os socialistas do mundo, compreendam o desastre das suas propostas. Oxalá que sim!

17 de Outubro, foi o dia Internacional para a erradicação da pobreza.

A realidade dos números divulgados sobre a pobreza, num momento em que se fala tanto de pequenos furtos nos supermercados por pessoas em desespero, são muito preocupantes. Em 2021, 2 milhões e 300 mil pessoas eram pobres ou estavam em risco de pobreza ou exclusão social (22,4% da população portuguesa).
As estatísticas demostram que as dificuldades para as famílias são crescentes, mas para os bancos, para as grandes empresas de energia e as grandes cadeias de supermercados, são de lucros escandalosos - no primeiro semestre deste ano aumentaram em mais de 70%.
É urgente aumentar salários e pensões, acabar com a precariedade e garantir a todos um emprego com direitos. O país não pode esperar eternamente pelo reforço dos serviços públicos e pela concretização real do direito à habitação. É urgente e necessário agir nestas áreas.
Todas estas medidas têm que ser acompanhadas por políticas de progressividade dos sistemas fiscais que não se acanhem a tributar os lucros excessivos das grandes empresas do sistema financeiro, do sector energético e de outras, que se encontram a enriquecer, de modo obsceno, à custa da inflação e da crise que vivemos.
Estas políticas de justiça social e de respeito pelo trabalho, não avançam porque contrariam a ideologia neoliberal que reina na União Europeia, mas, talvez mais cedo do que se espera, terão que ser aplicadas!

O Relógio da Torre da Oliva, elemento importante do nossos ex-libris, está parado há muitos anos.

Embora tenham sido feitas muitas reclamações dos eleitos da CDU e de muitas outras pessoas, as Câmaras passam e o relógio permanece parado. Apesar do Município ser proprietário do imóvel, não há brio que mova os nossos autarcas a fazer girar os ponteiros daquela memória que era rosto de uma empresa, da Nossa História, leader na inovação, na tecnologia e nas políticas de emprego.
A esperança é a última a morrer, mas o assunto já cansa e começamos a pensar que não vale a pena insistir. Provavelmente, a Câmara concluiu que «um relógio parado dá as horas certas duas vezes por dia». Talvez isso lhe baste!

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