Opinião

Reflexos - José Manuel Constantino

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Há muito me habituei a admirar o presidente do Comité Olímpico de Portugal. Um discurso limpo, claro e objectivo, numa prosa escorreita e de bom português. Prova disso mesmo, a sua abordagem àquele que é um saudável e oportuno reparo na perspectiva do COP, sobre o desporto que vamos tendo... O “1º CLINIC AEJ – NATAÇÃO” em abril último, registava um notável e singular momento, marcado então com a presença do ilustríssimo Dr. José Manuel Constantino na sua ainda fresca passagem pela cidade.
São do domínio público, os ouvidos moucos de sucessivos governos aos seus muitos e insistentes apelos nas suas mais diversas intervenções a propósito do desporto que (não) nos proporciona o Estado. Infelizmente, em particular para os desportistas em geral deste país e, a sua opinião, posicionamento do COP em relação às verbas a disponibilizar pelo actual governo através do PRR, é muito clara – quer através dos contactos com a tutela do desporto quer mesmo, através de outras intervenções públicas.
É muito recente a sua afirmação: «Ao longo de mais de duas décadas o País construiu planos estratégicos para o desporto que jazem no cemitério das boas intenções». Passo a descrevê-los: «…/… um Plano Nacional do Desporto Escolar, de um Plano Nacional de Ética do Desporto, de um Plano Nacional de Desporto para Todos, de um Plano Nacional da Actividade Física». Fantástico(!) diremos todos nós… Porém, “todos estes instrumentos de planeamento estratégico, quando aprovados, tinham algo em comum: não tinham associado um programa financeiro que os suportasse”… Inacreditável. Teimamos de facto em sermos únicos…
Fácil, para quem vai acompanhando o fenómeno, conhece o discurso do distinto Dr. José Manuel Constantino ou, marcou presença no “CILINIC AEJ”, perceber a razão pela qual o presidente do COP nos falava ali no auditório da Sanjotec referindo-se à formação – “factor crítico no desenvolvimento desportivo nacional” tal como: a “qualificação e profissionalização dos recursos humanos”.
Tudo, se resumirá a uma conclusão simples: “um plano não se concretiza apenas no anúncio e num documento escrito, menos ainda numa arma de comunicação política por mais brilhante que seja, mas de um processo que resulta do compromisso entre actores-políticos e desportivos, em torno de um futuro comum, com meios, responsabilidades e objectivos que vinculem as partes. Errar uma vez é normal. Insistir no erro é opção”.
Uma tal análise de José Manuel Constantino, transporta-me para o tema de que há muito venho falando e escrito aqui n’O Regional, a “Carta do Desporto”. Exortar as forças vivas da cidade à construção daquele (importante…) documento, provavelmente não bastará – o instrumento só por si, não movimentará grande coisa como atrás ficou claro na demonstração de tantos Planos Estratégicos de Desporto, vazios de financiamento – não passaram das boas intenções. Aqui chegados, “a ausência de vontade política ou de juntar a essa vontade (Carta Desportiva) os recursos adequados, entre os quais os financeiros”…
Acho… que temos a sorte de ter um presidente de câmara que reconhece que, “a cidade não investe na requalificação e edificação dos equipamentos desportivos há décadas”. Este, pode significar um primeiro e decisivo passo num percurso novo, que nos leve a um desporto melhor, quanto mais não for… pelo menos, começar pela melhoria significativa da qualidade dos espaços para o efeito.
O outro (eventual) passo, a passagem ao debate aberto quanto possível, com a comunidade desportiva local e respectivos agentes. Um terceiro e decisivo passo, a disponibilização de formação específica aos nossos dirigentes.
De facto, de nada nos tem valido todos aqueles instrumentos. Um Desporto em Portugal, bajulado por tantos ilustres responsáveis da governação, mas não só... sempre à espera pelo encosto à fotografia. Aconteça o feito mediático no futebol... e, então, quando vem de lá uma medalha olímpica(!) o discurso é notável... Na lata, presunção, mas pior, a hipocrisia de quem pelo desígnio nada fez… Não há lugar de prioridade no Orçamento de Estado para formar os nossos homens e mulheres do amanhã…

(O autor escreve segundo o antigo acordo ortográfico)

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