Rostos sem Máscara

Rostos sem Máscara - 47 - Utente da CERCI Nina: “Eu já sei fazer muitas coisas e, se fosse trabalhar, era uma boa trabalhadora”

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Ainda se fala muito de diferenças na igualdade. A palavra “deficiente” poderá, para muitos, ainda carregar um rótulo significativo na identidade de muitas pessoas. Nina, como é conhecida na CERCI de S. João da Madeira, prova que não é bem assim.

Sempre com um sorriso no rosto e vontade de ser feliz,  Patrícia Aguiar Dias, 40 anos, utente da CERCI de S. João da Madeira, carinhosamente chamada de Nina por todos na instituição, uma mulher determinada e muito divertida.
Até chegar à instituição, Nina tem uma história de vida. E nela consta um diário com páginas que conta a história da avó que a criou e com quem viveu. Após a perda da mulher da sua referência, o seu caminho foi destinado para um lar. Confidenciou a ´O Regional’ que já passaram tantos dias, que já nem se lembra do dia em que teve de tornar-se residente e pisou a CERCI pela primeira vez: “Já há muito tempo, não me lembro bem quando foi, mas sei bem que foi depois da minha avó morrer”.
A rotina que encontrou na instituição aquece o coração de Patrícia. “Eu gosto muito de estar no lar. Somos como uma família. De manhã acordamos e preparamos tudo, tomamos o pequeno-almoço e, se for dia da semana, vamos para a CERCI, se for sábado ou domingo, ficamos no lar”.
Quando fica no lar, faz questão de arrumar os quartos, tem tempo ainda para jogar, ver televisão, estar com o tablet, brinca com a “cevadinha”, a gata lá de casa, vai ao café, faz caminhadas, vai passear até ao shopping. “Há sempre muita coisa para fazer”, assume.
Esta sua “nova” família, que nasceu quando entrou para a instituição, faz com que Nina goste de passar o seu dia na CERCI: “Eu gosto de estar no lar e na CERCI, gosto muito das pessoas, porque me ajudam muito. Gosto de conviver. Falo de tudo, com os colegas que conseguem falar. Contamos como foi o nosso dia, falamos sobre o que vimos na televisão, sobre o que gostamos… eu gosto muito de falar com as meninas e as funcionárias”.
Esta mulher, aos 40 anos, está a dedicar-se a um curso que a deixa de água na boca. “Eu estou a acabar o meu curso de cozinha. Gosto muito de aprender coisas novas e queria muito arranjar um emprego para trabalhar e ganhar dinheiro. Eu já sei fazer muitas coisas importantes, e, se fosse trabalhar, era uma boa trabalhadora. Todos iam gostar do meu trabalho”.

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