Opinião

Camarinhas...

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De novo, cá estamos, mais uma vez... Esperamos que sejam muitas vezes! Há quem diga a já gasta: rentrée, aqui fica o meu contributo para mais um desgaste.
Será mais um atributo à falta de criatividade dos nossos, já gastos, políticos. Enfim, não é uma crítica, é mera constatação, ou mais, é o que eu e muita boa gente sente e pensa.
Adiante, que atrás vem gente! Esta é a forma popular de falar e escrever. Noutros tempos, esta seria a força da escrita, o risco da escrita, sabendo que o choque era enorme... era o preparar das malas e fazer-se desaparecer por uns tempos. Era o esperar que o tempo resolvesse as coisas, com o passar do tempo as coisas caiam mesmo em esquecimento. Hoje em dia as coisas caiem mesmo em esquecimento... já não valem nada! Toda a gente pode dizer e escrever o que bem lhe vai na real gana, pois tudo, ou quase tudo, passa ao lado de toda a gente, ou quase toda a gente!!!
Nos tempos que correm, que fomos ressarcidos dos nossos habituais contatos sociais, que perdemos as salutares tertúlias de cafés. Oh,...esses locais de culto onde muitas vezes conseguíamos resolver os problemas da nação... Bem, muita boa gente pensa que sim. Onde se comentava o rumo das equipas desportivas da nossa simpatia... Enfim, onde a amizade recebia o seu devido alimento!!! Tudo isto deixa alguma saudade, por vezes, nostalgia. De qualquer modo, não posso deixar de me sentir com algum privilégio de ter esta porta aberta que se chama Regional. E deste modo, poder chegar a um universo de leitores bem maior e alimentar desta forma o gosto pela escrita...

Camarinhas

Para rematar esta entrada, que já vai longa, trago-vos uma recordação, que para alguns dos leitores vai fazer crescer água na boca. Para os mais novos, pouco lhes vai dizer, mas com os meios tecnológicos de hoje em dia, a informação fica à distância de um click... basta querer... saber! E o saber não ocupa lugar! Ou devia ocupar, não acham?!
Bem, num dos passeios de Verão que fizemos e que nos levou até à nossa costa, aqui mesmo no nosso distrito, fomos surpreendidos, inicialmente por um leve aroma que pairava no ar... Enquanto percorríamos o trilho a surpresa foi enorme ao avistarmos uns arbustos... Oh! Camarinhas!!! À memória veio a praia do Furadouro onde, muitas décadas atrás, nas suas dunas abundava deste fruto. Até as vareiras apanhavam e vendiam-nas em pequenos cartuchos... Fantástico, camarinhas! Já algumas dezenas de anos que não as comíamos... Ao avistarmos o arbusto repleto de camarinhas a nossa memória recuou até esses momentos de Verão... desse fruto que tantas qualidades saudáveis e nutritivas tem!
E vocês, há quantos anos não viam camarinhas?!
Na música, Rokia Traoré, jazz com sabor a África.
Nos livros, o meu companheiro de Verão, “Fome Vermelha”, de Anne Applebaum.
Se forem à descoberta destas pérolas do Atlântico não estraguem as dunas!

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