Educação

Mais do que os ecrãs, estilos de vida afetam a visão das crianças e jovens

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O regresso às aulas coloca na agenda a discussão sobre várias áreas da saúde das crianças e jovens.

Refira-se que o insucesso escolar pode mesmo estar associado a problemas de visão não detetados e tal deve-se, no entender do optometrista, à falta de políticas de rastreios existente em Portugal.
“Começa a haver agora uma política de rastreios, mas é insuficiente para necessidades”, indica a ‘O Regional’.
Celso Ribeiro explica que quando a criança nasce há logo uma série de rastreios que os pediatras podem recomendar para ver se está tudo bem. Depois, sublinha que deve ser feito um rastreio visual aos dois anos, outro aos quatros e ainda um antes da criança entrar para a escola. Ou seja, quando não é detetado nenhum problema, os rastreios devem ser feitos de dois em dois anos.
A importância dos rastreios, como os que se fazem na Óptica David, tem que ver com a possibilidade de identificar mais precocemente os problemas, isto porque a visão do ser humano desenvolve-se até aos 12 anos, de um modo que até aos 12 anos o sistema visual ainda tem flexibilidade para se poderem fazer correções.
Quanto ao impacto do digital na visão, convém esclarecer que não é, necessariamente, o uso de ecrãs que contribui para o surgimento de problemas de visão. O impacto, explica o optometrista, tem que ver com a distância. “Não é o simples computador que vai fazer mal aos olhos. Tem que ver com a distância e o tempo que passamos a ver ao perto”, vinca.
Ou seja, quanto mais proximidade houver, em termos de fixação visual, pior isso vai fazer aos olhos. “Há uma correlação direta entre fazer tarefas com visão de perto e o aparecimento da miopia”, informa, indicando que a prevalência da miopia no mundo, há 50 anos, era de 10 a 20% e, atualmente, na Europa, ronda os 40%.
O aparecimento de miopias altas passa muito pelo estilo de vida, de uma forma geral, e não tanto pelo uso das novas tecnologias em particular. Passar muito tempo dentro de casa, sem fazer uso da visão ao longe – o que só se pode fazer ao ar livre – contribui para este problema.
Assim, um livro pode igualmente contribuir para o aparecimento da miopia, apesar do livro ter um bom contraste (letras pretas e páginas brancas, por norma). A diferença é precisamente essa, no ecrã há outros estímulos visuais, que são constantes e provocam mais desgaste e fadiga ocular. Todavia, o optometrista da Óptica David sublinha que ler um livro à distância de 20 centímetros também é “grave e cansativo e um fator para o aparecimento da miopia”. Mesmo no caso do uso do telemóvel, a questão passa muito pela distância, ou seja, não é o mesmo ter o ecrã a 50 centímetros ou a 20.
E soluções? O optometrista fala da regra 20-20-20: a cada 20 minutos de trabalho de visão próxima (seja no computador, seja num livro físico) olhar durante 20 segundos para uma distância de cerca de 20 metros. E, de preferência, levantar-se e andar ao ar livre. Apanhar ar também é importante, assim como apanhar sol (vitamina D). Daí que um estilo de vida onde as crianças passem o dia todo dentro de casa, seja verão ou inverno, possa vir a ser bastante prejudicial para a visão. A Óptica David tem uma grande tradição de ir às escolas fazer rastreios, mas também os faz na loja, situada na Avenida Renato Araújo. E, além disso, presta consultas de optometria, que englobam vários exames e podem ajudar a prevenir e identificar precocemente problemas de visão nas crianças e jovens.

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