Há 100 anos n' O Regional...

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Nas edições de agosto, além de um conto de Raul da Silva Veiga, são publicados também poemas de Manoel Fonseca, António Correa d’Oliveira e António Feijó.

Em agosto de 1922, houve duas edições d’O Regional.
Na capa, é publicado um artigo sobre o chapéu, iniciado na edição do dia 13 e que continua na edição de 27 de agosto.
Trata-se de “um pouco de história” sobre o chapéu, com olhares sobre vários pontos do mundo. Por exemplo, “os primeiros foram construídos da pele da cabeça de alguns animais e da dureza, para rechaçar o esforço dos golpes e, simultaneamente, causar espanto ao inimigo. Depois fizeram-se de madeiras, ferro, cobre, peles, estopa e finalmente de lã e pelo”.
Além disso, “crê-se que os chapéus de feltro não se haviam usado em França até ao século XIV”.
O autor destaca que houve evoluções “nas cinco partes do mundo”, que usam chapéus, e remata: “Se bem que não tenhamos conseguido averiguar quaes foram as primeiras terras de Portugal onde se estabeleceu a industria chapeleira, tudo nos leva a crer que esta localidade haja sido uma delas, pois havendo aqui bastantes fabricas já em fins do seculo XVII e sendo necessário um largo período de tempo para que o seu numero e aperfeiçoamento se desenvolvessem, é muito provável que hajam tido o seu início muitos anos antes”.
Enquanto que a primeira edição do mês apresenta um texto de Carlos Ferreira sobre Filipa de Vilhena (“grande tem sido a alma de mulheres, grande a sua abnegação, mas nenhuma tem sido maior que a de Filipa Vilhena”), na segunda edição de agosto o autor escreve sobre Joana D’Arc (“símbolo duma raça audaz, que há sabido impor-se ao mundo pelo cérebro, como esforço, como alma”).
Na edição de 13 de agosto, onde é também noticiada a chegada dos “navegadores do ar”, é abordada ainda a realização das Festas Sebastianas (dias 26, 27 e 28), cujo programa contará com as bandas de música de Arrifana, Póvoa de Lanhoso e Freamunde.
Por sua vez e na sequência, a edição do dia 27 considera que “nenhum amigo do S. João deve faltar” à procissão (“que passa por ser a mais bela nestas redondezas”) nem à quermesse (“promovida pelas meninas da nossa elite a favor do hospital”).
A propósito do hospital, são publicados e os nomes e os valores das contribuições a essa instituição, na sequência da subscrição aberta para despesas com arranjos internos.
Também os melhoramentos no Hotel Central são noticiados. As “novas” instalações albergam 24 quartos, “sendo 8 para 2 e 3 camas”.
Outra notícia dessa edição tem que ver com um assassinato de uma jovem de 18 anos de idade, que namorando com um homem do seu lugar (Quintã), “mas que se tinha ausentado há bastante tempo para Lisboa, tomou novo namoro com” um soldado do posto local da GNR. Depois do homem do seu lugar ter recebido pela jovem “bom acolhimento”, “o 121” carregou a sua arma com 3 balas e apontou-a à mulher, cravando-lhe uma das balas na garganta e dando-lhe “morte instantânea”. Posteriormente, procurou o outro homem para lhe fazer o mesmo, “mas como não o encontrou de repente, tentou suicidar-se, o que foi então evitado pelos seus companheiros que rapidamente o desarmaram”. Este episódio, de há 100 anos, parece dizer-nos que, ao longo de um século, há aspetos da condição sócio-humana que não se alteram, nem com evolução na educação e/ou na cultura, ideia sobre a qual se poderá dissertar com maior rigor ao acompanhar as notícias de femicídeos.
Nas edições de agosto, além de um conto de Raul da Silva Veiga, são publicados também poemas de Manoel Fonseca, António Correa d’Oliveira e António Feijó.
N’O Regional, há 100 anos, era assim.

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