Opinião

Planear com tempo e decidir com método

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A discussão acerca da melhor localização do novo aeroporto na região de Lisboa é bem elucidativa da incapacidade portuguesa de planear com tempo e decidir com método.
Há mais de 50 anos que os relatórios oficiais falam da necessidade de um novo aeroporto. Só nos últimos 20 anos, já esteve praticamente decidido que seria na Ota, depois em Alcochete, depois no Montijo. Na primeira década deste seculo, um ministro socialista dizia que “na margem Sul, jamais”. Há apenas um ano, o Primeiro Ministro António Costa dizia que a escolha do Montijo (na margem Sul) era definitiva e que não havia um plano B. Mais recentemente, na semana passada, a solução passou a ser 3 aeroportos na região de Lisboa: o atual mais Montijo numa primeira fase e depois Alcochete mais tarde.
Os Portugueses ficam desorientados perante tantos avanços e recuos, indefinições e contradições. A verdade é que hoje estamos no mesmíssimo ponto em que estávamos há 7 anos atras, quando António Costa iniciou funções como Primeiro Ministro. Não foi dado nenhum passo em frente; apenas alguns passes para o lado ou bolas fora. Tudo menos remates à baliza.
Não restam dúvidas a ninguém que até à construção de um novo aeroporto, teremos milhões de potenciais turistas que não virão a Lisboa porque o atual aeroporto não tem capacidade para receber toda a procura. Quem vai sofre é o turismo, a economia nacional, ou seja, o rendimento dos Portugueses. Tudo porque não conseguimos planear com tempo e decidir com método.
É altura de apresentar o meu ponto de vista sobre como devem as coisas acontecer daqui em diante. Parece-me bem que seja o Laboratório Nacional de Engenharia Civil a desenvolver a avaliação ambiental estratégica, legalmente obrigatória, que avalie as diferentes alternativas. Esta avaliação deve terminar com um relatório devidamente fundamentado que esclareça pelo menos os seguintes pontos:
- Quanto custa cada solução alternativa;
- Como pode ser financiada cada solução (fundos públicos ou privados ou mistos);
- Qual o tempo necessário para construir cada uma das alternativas;
- Quais as vantagens e desvantagens de cada solução nos planos económico, social, ambiental e aeronáutico.
Apresentado este relatório, que deverá ser público, então sim, será o tempo de o Governo e os partidos políticos tomarem posição e fazerem as suas escolhas, valorizando diferentemente os prós e os contras de cada cenário.
Não pode tolerar-se que os políticos apresentem as suas escolhas sobre a melhor localização do próximo aeroporto sem que sejam públicos os relatórios e pareceres que fundamentam as suas escolhas. Dentre os muitos e contraditórios relatórios e pareceres, temos que conhecer exatamente quais os que servem de base à decisão política.
Seria evidentemente muito útil que o Governo e o maior partido da oposição se entendessem sobre a melhor solução. A pensar no interesse nacional.

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