Opinião

Para sempre

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A Netflix editou duas temporadas de uma série sobre o clube de futebol de Sunderland AFC. Na primeira, com base na época desportiva 2017/2018, mostrou a desilusão do clube e dos seus adeptos, com a descida de divisão, para o 3º escalão Inglês, na passagem pela divisão secundária, após ter participado durante anos no principal campeonato. Na segunda temporada, o foco foi a época desportiva seguinte, em competição na League One, tendo o clube o objetivo de subida. Não foi alcançado, com os derradeiros episódios a transmitirem o dramatismo da competição, com o Sunderland a disputar o play-off e a perder, em final jogada no afamado estádio de Wembley.
No último episódio dessa série, aparecia a imagem duma adepta em lágrimas, perguntando quando é que seriam felizes naquele estádio? Uma demonstração da sensação de infortúnio dos habitantes daquela região do Nordeste de Inglaterra.
Nos últimos dois anos, incluí os resultados do Sunderland, na minha caderneta de resultados desportivos, que recolho aos fins de semana.
Não fiquei à espera de uma terceira temporada na Netflix, para saber o desfecho da odisseia no 3º escalão.
A realidade não se confundiu com uma série de ficção.
A época que terminou em 2020, ainda foi pior que a anterior. A do ano passado, não foi muito melhor, salvando-se pela conquista da EFL Trophy, uma espécie de Taça da Liga para os clubes de divisões inferiores, em jogo disputado precisamente em Wembley. Foi preciso esperar mais uma época desportiva, para o regresso à segunda divisão ser obtido, o que veio acontecer precisamente neste último mês de maio, novamente em final de temporada atribulado, com o acesso via playoff.
Os adeptos de Sunderland voltaram a sorrir, nunca deixando de cantar e de apoiar a sua equipa.
Os resultados desportivos condicionam a vida dos clubes.
Épocas desportivas menos conseguidas ocorrem a todos.
Muitas vezes os objetivos não são alcançados e é necessário encontrar ânimo para, na época seguinte, voltar a lutar.
Tudo isto vem a propósito das descidas para campeonatos inferiores, nas modalidades de pavilhão, das equipas masculinas da Associação Desportiva Sanjoanense.
Uma sensação de fatalidade invadiu os adeptos, simpatizantes ou sócios.
O modelo de clube de formação: com várias equipas em diferentes escalões etários, de ambos os géneros, é o mais aceitável e no qual muitos sócios se reveem, por ser um clube de referência, neste capítulo, na região. A isto, deve-se juntar equipas seniores aguerridas, formadas maioritariamente com jogadores provenientes das camadas jovens, naturais ou não de São João da Madeira.
É expectável com a constituição da SAD para o futebol, que haja outros anseios.
Os modelos de gestão do futebol profissional envolvem verbas consideráveis com direitos televisivos, venda de direitos desportivos dos jogadores, venda de publicidade, as quais se juntam outras menores, em valor, como venda da bilheteira e as quotizações dos sócios do clube.
Alavancando as duas primeiras, poderá ser possível partir para outros desejos, incluindo a modernização do estádio de futebol ou a construção de um novo.
Obviamente, por uma questão de tradição, neste momento, não consigo imaginar o estádio noutra localização da cidade, muito menos fora do município.
Houve clubes que foram, ao longo dos anos, fazendo sucessivas obras de melhoria e conseguiram adaptar as suas instalações às exigências da Liga profissional.
É um caminho, que obriga a algumas amputações, mas permitirá manter a identidade do clube e a relação de fidelização dos seus adeptos e sócios, para sempre.

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