Cultura e Lazer

AcáMúsica com o quarteto de saxofones NoteSax

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O Auditório Marília Rocha, na Academia de Música de S. João da Madeira, foi palco de mais uma sessão do ciclo de concertos AcáMúsica, no passado 8 de Maio, pelas 11 horas.

No palco, o quarteto de saxofones NoteSax, composto pelos músicos Fernando Ferreira (sax soprano), Nuno Choupeiro (sax alto), Carlos Ribeiro (sax tenor) e Gonçalo Vieira (sax barítono), assinalaram os 30 anos da morte de Astor Piazzolla, com um programa que lhe foi totalmente dedicado.
Comentado pelo compositor José Luís Postiga, o público viu-se envolvido numa incisiva viagem ao multiculturalismo que está na génese do tango universal de Piazzolla. O trajeto iniciou-se com o Libertango, escrito em 1974, em Roma, talvez a peça mais conhecida do argentino, e logo os renovados ritmos tangueros marcaram a revolução perpetrada pelo compositor no género. A L’histoire du tango, que lhe seguiu, traçou o percurso evolutivo segundo o próprio compositor, desde o seu nascimento em 1882 nas ruas de Buenos Aires, retradato da alegria vivida em torno do Bordel, nome do primeiro momento, até à sua projeção do futuro de Piazzolla, aos anos 90 do séc. XX, no último andamento Concert d’aujourd’hui, com sonoridades mais arrojadas, dissonantes e ritmos irregulares, passando pela referência ao tango canção em Café 1930, e à fusão com a bossa nova em Nigth Club 1960. O repertório foi passando pelas diferentes influências do compositor argentino, tocando na colaboração com Gerry Mulligan em Close your eyes and listen, ou na relação com o teatro, com a execução dos andamentos La muerte e La resurrectión del ángel, da peça de Rodriguez Muñoz “El Tango del Angel”. A viagem terminaria no que Piazzolla considerava o seu tango número um, Adiós Noniño, um ícone tão grande do seu repertório como a Garota de Ipanema de Jobim, ou Für Elise de Beethoven.
A interpretação assertiva com a necessária dose de lirismo, transmitiram o ambiente ideal, que levou o público a pedir um encore, realizado com Oblívion, para, ao contrário do seu nome, não ficar no esquecimento dos que lá estavam.
O próximo concerto é já dia 22 de maio com a obra Carnaval dos Animais de Camille Saint-Saens.

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