Rostos sem Máscara

Rostos sem Máscara - 30 - “Toda a roupa deve ter dignidade. Até um simples remendo”

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Começou por fazer traduções numa empresa, deu aulas de inglês comercial, mas a paixão pela costura esteve sempre presente.

Luísa Costa, de 56 anos, fez uma pausa para nos receber, em plena criação de mais um vestido de noiva, um dos muitos que já criou, ao longo da sua carreira. Conta que o processo não é difícil, mas sim “aliciante e desafiante”, para qualquer criador de moda. “É sempre um dia especial. Toda a roupa deve ter dignidade. Até um simples remendo numas calças”, revela.
Luísa não se preocupa da forma como é tratada profissionalmente. Se por costureira, modista, ou criadora de moda. Aquilo que sabe é que a paixão que sente pelo ‘corta e cose’ não se explica, e isso sente-se na forma como responde às nossas perguntas.
No caso específico dos vestidos de noiva, “normalmente”, a cliente, quando ali chega, já tem uma ideia do que quer. A experiência ensinou-lhe que “nunca” deve cortar, numa primeira fase, o tecido original. “Há sempre alterações. Mudança de ideias”. Faz sempre, em primeiro lugar, um molde com um outro tecido e, nas primeiras provas, vai “construindo e desconstruindo” aquilo que a cliente, “sempre em colaboração com a criadora”, vai desejando. Só quando há certezas é que corta o tecido. Luísa não consegue escolher o vestido da sua vida. “São todos meus. Sejam de noiva, gala ou uma simples cerimónia”, enfatiza.
A criadora de moda, além dos vestidos de noiva, faz ainda saias, casacos, calças, e todo o tipo de arranjos. Trabalha com todo o tipo de tecidos, desde seda, couro, malhas, lãs, cetins e fibras. “Tive que investir em equipamento. Tenho que conseguir dar resposta aos pedidos dos meus clientes”, que considera como “família”, pois, ainda hoje, mantém muitos, desde o primeiro dia que abriu a sua loja em S. João da Madeira.
Começou a desenhar as suas roupas desde muito cedo, mas só há 17 anos abriu o seu ateliê em S. João da Madeira. “Nunca me preocupei com o nome a dar à casa. Não sabia se o negócio ia correr bem”. Por curiosidade colocou na montra, em letras “garrafais”, ‘Tesouras Grandes’ e uma fita métrica a “simbolizar esta área”. E assim ficou até aos dias de hoje.

Ar­tigo dis­po­nível, em versão in­te­gral, na edição nº 3890 de O Re­gi­onal,
pu­bli­cada em 5 de maio de 2022

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