Opinião

Outros temas para os próximos anos

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A recente tomada de posse do novo governo, devidamente aprovado na Assembleia da República, permite voltar ao tema dos anseios da população de São João da Madeira.
Em texto anterior referi três questões: a regionalização, a descentralização e os limites do concelho.
Resumidamente, defendi uma eventual regionalização como a oportunidade de alterar a lei eleitoral e criar círculos de acordo com as regiões a implementar, o que seria visto pela população local como o definitivo aproximar à Região Norte, onde está inserida na organização territorial e de vários ministérios, importantes, por sinal. A questão de Milheirós poderia voltar à agenda política, embora tenha referido que a maioria parlamentar poderia ser suficiente para promover a mudança concelhia. Caso tal desígnio seja enquadrado pela Lei Eleitoral, serão necessários 2/3 dos votos dos parlamentares, pelo que apenas com acordos políticos, é que será possível promover essa alteração. Uma eventual alteração à lei eleitoral a propósito da regionalização, poderá conter alíneas que contemplem estes casos de freguesias contíguas à sede de concelho vizinho.
O outro ponto abordado, da descentralização e a possibilidade de recuperar para a cidade o pavilhão da devoluta Escola João da Silva Correia, foi debatido em reunião de Câmara Municipal, conforme informou este jornal na semana passada. Veremos quais os desenvolvimentos para este património, lembrando a necessidade de se garantir o financiamento junto do Estado central, seja qual for, o destino do edificado.
Há outros três pontos, relacionados com Infraestruturas, que importa evocar.
Dois estão relacionados com o Ministério liderado pelo nosso conterrâneo, Pedro Nuno Santos: a eficaz ligação ferroviária ao Porto e o preço da portagem da A32, no troço Pigeiros-Olival.
O outro está relacionado com a ocupação do Hospital.
A ligação ferroviária ao Porto é um imperativo. Ou melhor, foi durante uns meses. Havendo vontade de transformar a bitola métrica de Oliveira de Azeméis a Espinho, com ligação à linha ferroviária do Norte. Uma linha com comboios do Porto para Oliveira de Azeméis, daria um novo alento a toda esta região, carente de soluções de transporte coletivos ecológicos. Entretanto, a amputada linha do Vouga passou a ser vista como uma hipótese para promover ligações radiais entre Aveiro e Espinho, com passagem por concelhos outrora servidos pelas composições a diesel, preparadas para a bitola curta. O entusiasmo do inicio da reabilitação da linha, cedo deu lugar ao desânimo. Os pequenos reparos em nada vão alterar a reduzida velocidade de movimentação das composições e a impossibilidade de promover circulação alternada, vai reduzir o número de composições a transitar na linha, isto é, a espaçar os horários. Caso se confirme a norte a desativação da estação de Espinho, direcionando os comboios para o apeadeiro de Silvalde, será um duro golpe para a viabilidade económica da recuperada linha do Vouga.
O Porto ficará mais longe de comboio, a viagem para Aveiro será demorada e com poucas ligações. Com estas opções, viajar de carro, sobretudo para a cidade do Porto, contínua a ser a melhor opção. É neste sentido, que importa reclamar o preço da portagem da A32, o mais caro dos troços disponíveis de ligação de São João da Madeira ao Porto. Convém no mínimo igualar o preço do troço Pigeiros-Olival ao da A1, entre Feira e Nó de Grijó / Nogueira da Regedoura, caso contrário continuarão as filas intermináveis entre o nó desta autoestrada e o alto da Arrifana.
Por fim, a questão da ocupação do Hospital de São João da Madeira. Sendo propriedade da Santa Casa da Misericórdia e estando estas instalações a ser utilizadas pelo Estado, convinha promover a revisão da renda paga pelo inquilino. O reconhecido mérito desta instituição, sempre a “vencer barreiras, passar fronteiras”, para parafrasear o poeta sanjoanense Mesquita Cá, merecia outro tipo de negociação, que lhe permitisse apurar uma receita mais de acordo com o valor do imóvel ocupado.
Nos próximos 4 anos, muito há a propor à Assembleia da República e aos vários ministérios do Governo empossado. Na ausência de deputados oriundos de São João da Madeira, quem assumirá esta negociação?

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