Sociedade

“Há muitas pessoas na cidade que não tinham possibilidade de ir a um dentista”

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No âmbito do projeto “Saúde Oral para Todos”, as consultas de saúde oral do Centro de Saúde de S. João da Madeira, que funcionam desde junho de 2019, receberam, até fevereiro deste ano, cerca de sete mil utentes

“Foi nestas consultas que aprendi como lavar os dentes e a não ter medo de estar sentada na cadeira do dentista”, assume uma utente que pediu reserva de identidade. Com mais de 70 anos, bem-disposta, e sem esconder o sorriso que mostram os poucos dentes que ainda tem. Para si, o facto de saber como lavar corretamente os dentes “já vale a pena frequentar” as consultas de saúde oral do Centro de Saúde de S. João da Madeira, em funcionamento desde junho de 2019.
Foram estas consultas que trouxeram esta sanjoanense pela primeira vez ao dentista e que lhe ensinaram que, quando lhe doem os dentes, não deve colocar “aguardente para aliviar a dor”, mas ir ao dentista. “Foi a minha médica de família que me mandou para cá. Tinha a boca toda destruída”. Este adiar do problema custou-lhe a perda de vários dentes, e, hoje, percebe que cuidar deles é tão ou mais importante como tratar “de outra coisa qualquer no nosso corpo”.
Apesar da resistência inicial, porque, quando o assunto era dentista, “entrava em pânico”, assume que estas consultas vieram “permitir uma saúde oral para todos”, uma vez que, “infelizmente, há muitas pessoas em S. João da Madeira que não tinham possibilidade de ir a um dentista”, revelou a ‘ O Regional’, na entrada do edifício do Centro de Saúde.
Por seu turno, Victor Manuel, 51 anos, vinha para a sua segunda consulta. “Já andei noutros dentistas há vários anos, mas a vida nem sempre me permitiu dar continuidade aos tratamentos”. Soube desta consulta em janeiro deste ano. Com a entrada da pandemia, a taxa moderadora deixou de ser aplicada. “É uma maravilha. Permite que mais pessoas tenham acesso a estas consultas. Infelizmente, nem sempre ir ao dentista era para todos. Sinto-me muito bem aqui. Tanto a dentista como a sua assistente são muito competentes e profissionais. Não sinto qualquer diferença entre este consultório e os que eu já frequentei”, garantiu, no corredor junto ao gabinete instalado no piso 3 do Centro de Saúde.
Sónia Azevedo de 36 anos tinha consulta marcada para as 12h30. Na sala de espera do consultório revelou-se “satisfeita” com as consultas que frequenta há meio ano. “Vim recomendada pelo meu médico de família. Não sabia que podia tratar cá os dentes pelo Serviço Nacional de Saúde. São muito simpáticos e não há muito tempo de espera para as marcações”, conta. Para esta sanjoanense a chegada da Cadeira Dentista ao Centro de Saúde é “uma mais-valia”, principalmente para as pessoas, “mais idosas e com rendimentos mais baixos, e que nem sempre têm a possibilidade de ir ao dentista, com regularidade”.

Ar­tigo dis­po­nível, em versão in­te­gral, na edição nº 3885 de O Re­gi­onal,
pu­bli­cada em 31 de março de 2022

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