Sociedade

Desempregados viram empresários na cidade

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Quase todos tiveram a mesma sensação quando receberam a carta de despedimento. Frio na barriga e sensação de incerteza quanto ao futuro, que se misturou com a pandemia. Apesar da situação, fomos conhecer pessoas que conseguiram dar a volta por cima

São um exemplo de sucesso e superação de como se pode “dar a volta à crise”, principalmente, quando se fica no desemprego. Em S. João da Madeira, há vários exemplos de pessoas que conseguiram transformar o seu problema de desemprego, criando a sua própria empresa.
Jorge Couto, antigo funcionário da indústria do calçado, ficou desempregado e, no final de 2019, lançou-se sozinho em pequenas reparações domésticas. Quando a empresa de calçado encerrou, decidiu que não queria continuar a trabalhar no mesmo ramo. “Estava cansado. Farto. Queria coisas novas”.
Foi durante uma reunião no IEFP, em S. João da Madeira, que nasceu a ideia de se “aventurar” num emprego “totalmente às escuras”. Um negócio a que chamou “Sr. Jorge Faz Quase Tudo”, e que salvou a sua vida, depois de perder o emprego. “Eu tinha já esta ideia há muito tempo. Nem sempre é fácil conseguir, com urgência, alguém que esteja disponível para pequenas reparações, e que muitos profissionais não querem fazer, porque não são trabalhos muito caros”. Desde reparar ou substituir um estore, uma lâmpada, serviços de eletricista, pichelaria, pintura, serviço de mudanças, (…) “um habilidoso, no fundo”, conta.
Começou por colocar, na rua onde vive, papéis nas caixas do correio dos vizinhos. Foi assim que se deu a conhecer. “Sei quem foi o meu primeiro cliente. Hoje vinha um, amanhã outro”, mas nunca desistiu. Hoje, orgulha-se do que faz, dos clientes que tem e do sucesso da empresa. Um dos segredos desta profissão passa por “criar todas as condições para que os clientes confiem no meu trabalho”, destacando que a “imagem de como nos apresentamos” é sempre muito importante.
Jorge é otimista por natureza. “Não sou de baixar os braços”. Hoje já tem duas pessoas, que também ficaram desempregadas, a trabalhar a seu lado. “Elas acabam por fazer os serviços que eu não sei fazer. Alargámos a oferta e partilhámos o mesmo nome da empresa. Temos contas diferentes, contribuintes diferentes, mas trabalhamos em equipa”, conta.

Ar­tigo dis­po­nível, em versão in­te­gral, na edição nº 3882 de O Re­gi­onal,
pu­bli­cada em 10 de março de 2022

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