Cultura e Lazer

‘Poesia à Mesa’ regressa em formato presencial

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Fernando Tordo, Capicua, Júlio Machado Vaz e Rodrigo Guedes de Carvalho são alguns dos nomes que vão passar por S. João da Madeira. O investimento é de 22 mil euros.

A 21 de março assinala-se o Dia Mundial da Poesia e o município de S. João da Madeira volta a celebrar a data com um conjunto de atividades presenciais ao longo do mês, depois de ter sido obrigado a fazê-lo em formato online nos dois últimos anos, devido às restrições motivadas pela pandemia da covid-19.
O programa deste “ansiado” regresso do Festival Poesia à Mesa ao contacto direto com o público foi apresentado, na última quarta-feira, dia 2, na Biblioteca Municipal Dr. Renato Araújo, numa sessão que contou com as presenças da coordenadora deste serviço da autarquia, Carla Relva, do performer Paulo Condessa, que volta a ser um dos comissários do evento, e do Presidente da Câmara Municipal, Jorge Sequeira.
Para o chefe máximo do executivo este é um “festival marcante, dos mais resiliente que nunca foi interrompido” nem mesmo durante o processo da pandemia. “É um festival literário dos mais importantes do país e com características únicas de contacto e de desafio ao público. E é essa a grande magia deste evento. O festival é uma invasão poética e vai ao encontro das pessoas”, enfatizou.
O Festival Poesia à Mesa tem vindo a divulgar um conjunto de poetas e as suas obras, “indo ao encontro do público através de ações em locais e contextos inusitados como restaurantes, fábricas, autocarros, centro de saúde, escolas, para além dos habituais equipamentos culturais da cidade e o espaço público”. Ao longo do mês, a poesia “vai andar impressa em diversos materiais, desde aventais, toalhetes, sacos de pão, passando também por receituários e lápis”.

Carla Relva, Paulo Condessa, e o Presidente da Câmara Municipal, Jorge Sequeira

Jorge Sequeira assumiu que “todas as iniciativas culturais têm um propósito, que passa por cultivar a liberdade, a paz, democracia e a cooperação entre as pessoas e os povos”. Nesse sentido, a autarquia “vai tentar” que o programa da 20.ª edição da poesia chegue até à embaixada da Rússia pedindo que o mesmo seja enviado a Vladimir Vladimirovitch Putin, presidente da Rússia, “para que ele se inspire na poesia, na cultura no conhecimento que temos uns dos outros, no saber, na história, na filosofia podem lançar as pontes para a paz” e colocando um ponto final na guerra.
Para Paulo Condessa este será o seu 7.º ano de ligação a este evento. “Já é um período considerável” não escondendo a satisfação de continuar como o performer do evento enaltecendo a importância da envolvência da população no evento.

Poesia como sinal de paz para travar a guerra

Mariana Amorim, psicóloga da Cerci de S. João da Madeira começou por salientar que estava a representar o grupo de Teatro da Cerci a quem chama “Voz Atrevida” – grupo “tão improvável porque o fazemos com utentes que têm séries limitações de comunicação” dando como exemplo que o grupo apesar das limitações conhecidas dizem poemas não só por palavras mas também por gestos e sons demonstrando na conferência de imprensa a forma como “se solta” diariamente a poesia na Cerci. “Para nós dizer poesia não é só a articulação de palavras. É mais a articulação de sentimentos. Há frases e expressões que ficam e passam a colorir o nosso dia-a-dia”, rematando que esta iniciativa tem uma “grande importância” junto dos utentes.
Para Cristina Marques, presente com “dupla faceta” – professora que recebe a poesia à mesa nas escolas e docente colaboradora de dois grupos que participa na peregrinação poético - o grande potencial desta iniciativa “é ir ao encontro de públicos variados e em espaços diferentes e isso é a sua grande potencialidade. Através desta estratégia a poesia consegue desmistificar o texto poético e não de um texto incompreensível”.
Na informação distribuída à imprensa sobre esta 20.ª edição da Poesia à Mesa, a Câmara Municipal destaca que, desde a sua criação, o evento já divulgou cerca de 120 poetas e a sua obra, sendo que, em 2022, ano, os materiais de promoção vão homenagear Alda Lara, Vítor Nogueira, Daniel Filipe, A. M. Pires Cabral, Rosalía de Castro (Galiza) e Capicua.
Capicua e Vítor Nogueira vão mesmo estar presentes em S. João da Madeira, onde participarão na “Peregrinação Poética”, com partida da Biblioteca Municipal, apontado como “o maior momento de envolvimento comunitário do Festival” e agendado para a noite 18 de março, que incluirá as performances de oito grupos do concelho e dos comissários do evento – Paulo Condessa e José Fanha.
Ao longo dos anos, outro dos pontos altos do festival tem sido o “Serão Poético”, marcado para o dia seguinte, 19 de março, na Casa da Criatividade, que “contará com a presença do músico Pedro Jóia, uma referência cimeira da guitarra em Portugal, e Júlio Machado Vaz, médico psiquiatra, professor universitário e autor de vários livros”. A organização promete um “serão informal e mágico, conduzido pelo poeta José Fanha e pelo performer Paulo Condessa”.
No Dia Mundial da Poesia, 21 de março, acontecerá o espetáculo de encerramento da 20ª edição do Festival Literário Poesia à Mesa, também na Casa da criatividade, onde estarão o jornalista Rodrigo Guedes de Carvalho, a cantora Daniela Onís e o músico e produtor Ruben Alves. A proposta, com o título RUGE, “é uma narrativa de poemas e canções, sobre o amor e tudo em volta, sobre paixão e revolta”.
Entretanto, já a 16 de março, na Biblioteca Municipal, o evento recebe outro nome bem conhecido dos portugueses: o músico Fernando Tordo. Uma conversa – com o amigo José Fanha – inserida na rubrica “Poetizando”, em que se vai falar sobre a vida e a poesia de Fernando Tordo, a propósito do novo livro “Não Me Tapes o Caminho em Frente, Mesmo que Não Vá Dar ao Futuro”.
Na noite de 17 de março, na Casa da Criatividade, “as palavras serão materializadas por Pedro Freitas, mais conhecido por Poeta da Cidade”. É esse o mote para o espetáculo “Metafisicamente d’Outro Mundo”, “cuja criação atmosférica será composta pelas mãos do músico Wake Up Sleep (Cláudio Martins)”.
Do programa constam ainda diversas outras propostas, como a Tertúlia dos Poetas Sanjoanenses, a exposição “Paisagens abstractas de Mário Césariny”, com obras da coleção Norlinda e José Lima, o concurso “Poesia na Corda”, a “Cabine de Leitura”, oficinas poéticas nas escolas, declamação em restaurantes, fábricas, autocarros, Centro de Saúde e Centro de Vacinação.
O Poesia à Mesa de 2022 representa um investimento de 22 mil euros.

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