Cultura e Lazer

Concerto do Dialectos Duo

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A programação do AcáMúsica - Ciclo de Concertos da Academia de Música de São João da Madeira, retomou no passado dia 27 de fevereiro, após um período de vários adiamentos, em resultado de constrangimentos provocados pela Covid 19.

O “fim” desta pandemia acontece dando o Mundo início a mais um drama humanitário, desta vez, com a guerra na Ucrânia. Ninguém fica indiferente a algo que deveria ser impensável no século em que vivemos e após tantos acontecimentos, ainda tão frescos na nossa memória coletiva, de destruição. Na verdade, as guerras no Mundo nunca terminaram e são uma realidade constante para vários povos. Esta, acontece à “porta” das nossas casas e torna tudo mais real e mais consciente de que, ainda, estes genocídios podem acontecer.
Com o concerto do Dialectos Duo, também se prestou homenagem aos homens e mulheres ucranianos que vivem a guerra. Assinalou-se o momento de solidariedade, através da música, e, com o ritmo dos instrumentos de percussão, apresentaram-se as melodias destes que são os instrumentos mais antigos, criados pelo Homem.
O Dialectos Duo, formado por Daniel Moreira e Marcelo Pinho, é um grupo que desenvolve a sua atividade há 10 anos dedicando as suas interpretações ao reportório contemporâneo para percussão. Neste concerto, apoiados nas palavras de Mário Azevedo que nos encaminhou no percurso musical, apresentaram obras de Ivan Trevino, Francisco Perez, Emmanuel Sejourné e Gene Koshinski.
O enorme talento dos intérpretes ficou bem patente na interpretação de obras de grande exigência técnica e musical. Do rigor rítmico às melodias que se extraíram dos diversos instrumentos musicais usados (sim, porque do ritmo também se criam melodias!), o público pôde ficar a conhecer as potencialidades destes instrumentos e, embora a exigência auditiva de alguns momentos fosse significativa, reconheceu a riqueza artística e interpretativa, quer ao nível técnico quer ao nível musical, destas obras e seus tradutores.
Nas palavras de Mário Azevedo, citando Gonçalo M. Tavares, este concerto precisou de “o ouvinte tranquilo”. Aquele ouvinte, com ouvidos labirínticos que prepara a chegada dos sons ao cérebro. O ouvinte paciente e disponível para novas agitações musicais que questionam e criam azáfamas. O ouvinte surdo, aquele que ouve em linha reta, não esteve neste concerto ou, se esteve, despertou para a necessidade de ouvir. Uma audição com forma e muitas curvas.

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