Sociedade

Mulher com covid-19 na rua com os seus bens

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A viver na rua, uma mulher sanjoanense, desempregada, reclama por uma habitação municipal, que diz aguardar há três anos.

Uma mulher de 36 anos, que reclama por uma habitação municipal há cerca de três anos, está, atualmente, a dormir na rua, em S. João da Madeira. Sem emprego e com covid-19 positivo, esta sanjoanense percorre as ruas da cidade com os seus bens. “A câmara conhece bem o meu processo. Fui vítima de violência doméstica várias vezes e estou sem os meus dois filhos, por não ter uma casa”.
Encontrámos Mariana Fonseca em Fundo de Vila. O aparato não deixa ninguém indiferente. Sentada num banco, com as suas “tralhas”, pretende, desta forma, “alertar” para uma vida que diz não suportar por muito mais tempo. “Só quero uma vida digna. Sou sanjoanense. Estou a viver uma fase complicada e não tenho atualmente solução para alugar um quarto ou casa”, exterioriza Mariana, na expectativa de ter, em breve, uma resposta positiva ao pedido de atribuição de uma casa, que diz ter feito há cerca de três anos.
Esta mulher já se “instalou” na entrada do edifício municipal, na semana passada. “Disseram-me que eu não tinha rendimentos e que neste momento não há casas para entregar. Falaram-me de um T4 que se encontra livre para uma grande família, mas que não me iam colocar lá sozinha”, confessou a ‘O Regional’.
Mariana diz que a autarquia a colocou “15 dias” numa pensão em S. João da Madeira. “Dias depois, ligaram-me a dizer que eu tinha que sair, que já não tinham verba para eu lá continuar” e “a única solução era enviarem-me para uma casa abrigo”, que, segundo esta mulher, “pode ser no Algarve”, o que a impossibilitaria de ver, com regularidade, os dois filhos.
Depois da sua permanência na pensão, ainda viveu uns dias num quarto. “Não tinha grandes condições. E tive de o abandonar, pois já não o podia pagar mais” uma vez que recebe do Instituto da Segurança Social o Rendimento Social de Inserção (RSI).

Ar­tigo dis­po­nível, em versão in­te­gral, na edição nº 3879 de O Re­gi­onal,
pu­bli­cada em 17 de fevereiro de 2022

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