Rostos sem Máscara

Rostos sem Máscara - 18 - “Já conheci vários presidentes, e todos me marcaram para sempre”


Os sonhos passavam pelas artes, mas o destino trocou-lhe as voltas. É a funcionária mais antiga da Junta de Freguesia e a paixão por aquilo que faz é tanta que e não quer ouvir falar em reforma. Teresa Ferreira entrou para a Junta há mais de 40 anos

Teresa Ferreira, 61 anos, é um dos rostos mais marcantes da Junta de Freguesia de S. João da Madeira, cidade onde cresceu e estudou.
Os seus pais são de Barcelos, mas toda a sua vida foi passada nesta cidade, com a qual tanto se identifica. Todos conhecem a Teresa da Junta, apesar dos seus seis colegas. “De facto sou a funcionária mais antiga”, tinha 17 anos, quando acabou o curso complementar de secretariado na escola Serafim Leite, e, na altura, era seu objetivo inscrever-me no ano de acesso ao ensino superior, mas, ao ter conhecimento que estava aberto concurso para a Junta de Freguesia, inscreveu-se com outras amigas, “por brincadeira”. Fez todas as provas, juntamente com outras 90 candidatas, “ e, sem qualquer, cunha fui a escolhida”, enfatiza.
Como todos os adolescentes, também Teresa tinha os seus sonhos e objetivos. “De facto, sabia que era complicado para os meus pais, a nível financeiro, e também deixar a sua menina ir estudar para o Porto…”. Mas a sua professora de Português “tudo fez” para que Teresa continuasse os seus estudos. “Cheguei a matricular-me no liceu Carolina Michaels, trabalhava até as 17h30. Apanhava, na praça, o autocarro para o Porto, ia a pé para o liceu e dormia em casada professora Celeste. Na altura, consegui tirar as melhores notas da turma. Mas conciliar o trabalho e os estudos não era tarefa fácil. No primeiro período, dormia pouco, alimentava-me mal... não aguentei”, e acabou por desistir.
Os seus sonhos passavam pelas artes. “Via-me a fazer design de interiores, mas a realidade, na verdade, foi outra”, argumenta.
Teresa recorda os primeiros tempos na Junta de Freguesia ”Era tudo muito diferente do que nos dias de hoje. Havia o Zé da Junta, uma pessoa muito peculiar”, e Teresa tentou “inovar um pouco” o serviço que era feito diariamente na Junta, uma vez que “tinha horário completo”.
Relativamente ao que a tem aliciado mais ao longo de todos estes anos na profissão – a resposta vem acompanhada de um sorriso, que vem bem lá de dentro. “Sem dúvida alguma, o contacto com as pessoas. Já conheci vários presidentes de junta. Todos eles me marcaram para sempre”, até porque “ninguém me identifica com nenhum partido, visto sempre a camisola de quem está na presidência. Eu trabalho... Eles fazem política”. Responde, com perfeita noção e isenção.

Ar­tigo dis­po­nível, em versão in­te­gral, na edição nº 3878 de O Re­gi­onal,
pu­bli­cada em 10 de fevereiro de 2022

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