Opinião

Um País cor de rosa

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Vamos aos factos:
O PS ganhou as eleições em todos os círculos eleitorais, com exceção da Madeira. Portugal continental ficou todo pintado a cor de rosa. Grande vitória do PS com 41,7% dos votos;
O PSD tem mais 79 mil votos do que em 2019 (sem considerar os votos da emigração) e aumenta a sua percentagem de votos de 27,8% para 29,3%;
O Bloco de Esquerda perde mais de metade do seu eleitorado (passa de 500 mil para 240 mil votos) e perde 14 dos 19 Deputados que tinha;
O PCP perde 96 mil dos 332 mil votos que tinha na anterior legislatura;
O BE e o PCP perdem em conjunto 356 mil votos e perdem 20 Deputados;
O Chega aumenta 318 mil votos e cresce de 1 para 12 Deputados;
A Iniciativa Liberal aumenta o seu resultado em 200 mil votos e passa de 1 para 8 Deputados;
O PSD e os partidos à sua direita aumentam o número de votos em 597 mil.
O PS e os partidos à sua esquerda (BE, PCP e Livre) crescem apenas 36 mil votos, apesar de haver mais 297 mil votantes e apesar do forte crescimento do PS e de um pequeno crescimento do Livre.

Sendo estes os factos, que conclusões podem retirar-se?
Em primeiro lugar, que os Portugueses optaram pela estabilidade que lhes oferecia o PS e não pela mudança que o PSD representava.
Em segundo lugar, que o PS teve capacidade de convencer os eleitores à sua esquerda de que não deviam correr o risco de uma vitória do PSD. Conseguiu agregar voto útil, enquanto o PSD não teve essa capacidade. Pelo contrário, os partidos à direita do PSD cresceram fortemente. A representação parlamentar à direita do PSD foi multiplicada por 10 enquanto o BE e o PCP/PEV ficaram reduzidos a 1/3 do número de Deputados.
Ou seja: estas eleições, que ditaram uma clara vitoria do PS, também ditaram um maior recentramento do Parlamento. A esquerda à esquerda do PS sofreu uma pesada derrota. É necessário que a próxima legislatura traduza esta nova realidade, deixando de conferir à extrema esquerda o peso desproporcionado de que tem beneficiado na política portuguesa.
Infelizmente, ao outro extremo chegou um partido que, sozinho, conseguiu mais Deputados do que o PCP e o BE juntos. Não tem tido até agora peso político e capacidade de decisão comparável com a dos partidos à esquerda do PS. E tomara que nunca venha a ter. Qualquer extremismo faz mal ao país.

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