Desporto

O Real (ROYAL) Clube Nogueirense perfaz este ano a bonita idade de 100 anos

• Favoritos: 3


Os primeiros passos dados pelo clube em junho de 1922, conforme relatos dos jornais da época. No “O Regional” de S. João da Madeira relata o primeiro jogo de futebol no Largo da Feira dos 27, em Nogueira do Cravo.

Essa crónica do jornal relata o seguinte:

O primeiro “match”
O entusiasmo crescente levara, entretanto à formação de um “team” que, com o nome de “Sporting Club de S. João da Madeira” – camisolas “amarelo-negro” e calções brancos -, a 4 de Junho desse mesmo ano, se deslocou a pé até Nogueira do Cravo, “…acompanhados de algumas gentis meninas sanjoanenses cujo entusiasmo não era melhor do que o dos que iam dar o corpo ao manifesto…” para a realização do primeiro jogo-treino formal na “feira dos 27”, perante o “Royal Foot-Ball Club” de Nogueira do Cravo, um adversário com designação britânica por influência de Charles Edward Rowett.
…afluiu grande número de pessoas da nossa terra, as quais lá foram apreciar o jogo sendo o entusiasmo indescritível.

Cartão do sócio nº. 1, Charles E. Rowett. Como atesta o cartão de sócio nº. 1, o Real foi um dos primeiros clubes a praticar futebol na região.

De acordo com a referida notícia, a vitória pertenceu ao “Sporting Club de S. João da Madeira” que venceu o desafio por 2 - 1, com 1-0 no final do primeiro tempo, tendo os seus “goals” sido da autoria de Hernâni Silva, num jogo cuja descrição se pode considerar também histórica.
Assim terminou o desafio treino, ficando o “Sporting Club” vencedor por 2-1”.
A escolha sobre os melhores jogadores do “Sporting Club” recaiu sobre Augusto Palmares “que centralizou sempre o jogo admiravelmente, fazendo avançadas e passagens com uma perícia e táctica muito apreciáveis…”
No “Royal Club”, o destaque foi para o “center half” Charles E. Rowett e para o “Back” António Resende.
O árbitro também não foi esquecido. De Albino Vieira diz a crónica que “exerceu com toda a imparcialidade”.
Foi marcado novo jogo para o final do mesmo mês – 25 de Junho – mas desta vez no campo do “Sporting Club”, em S. João da Madeira.
O problema: o “Sporting” não tinha campo. Foi improvisado num mato no alto da Vista Alegre pertencente a particulares, mas depois de limpo do tojo, e no domingo marcado foi realizado como o previsto. O Royal Club Nogueirense efectuou “…avançadas renhidas as quais foram, todavia, galhardamente combatidas pela nossa defesa…”, terminando o match com o resultado igual ao anterior, com a vitória do “Sporting” por 2 -1. “O Regional noticiou na edição de 2 de Julho: “É para lamentar que tivessem havido, de parte a parte, certas incorreções que, em vez de beneficiarem o jogo só o prejudicaram. Bom é que em desafios futuros haja mais lealdade e menos violência”.
Um terceiro encontro entre as dois “teams” teve lugar mais de meio ano depois, em 4 de Fevereiro de 1923, tendo o “Royal Club Nogueirense” resolvido o assunto com um avantajado 4 – 0 e dominado completamente a situação durante todo o tempo.

O jornal “Correio de Azeméis” de 11 de Janeiro de 1923, também dá notícia de um jogo entre a União Desportiva Oliveirense e o Royal Club Nogueirense, cujo resultado foi favorável ao primeiro por 3-0, e que se realizou no dia 7 desse mês.
Também o mesmo jornal faz referência, a dois jogos que se realizaram entre o Royal Club Nogueirense e o Grupo Sanjoanense, em 27 de Abril de 1923, entre as primeiras e as segundas categorias.
Dessas notícias se conclui que o Royal Club Nogueirense possuía 2 equipas de “Foot-Ball”.

Na década de 30, foi, por praticantes e simpatizantes, lançada mão à construção do campo de futebol, em terrenos postos à disposição pela empresa Mina do Pintor, impulsionadora do clube. Construído á picareta e pá, pelos simpatizantes do futebol.
Foi praticado futebol particular até finais dos anos 60.

Ar­tigo dis­po­nível, em versão in­te­gral, na edição nº 3877 de O Re­gi­onal,
pu­bli­cada em 3 de fevereiro de 2022

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