Opinião

O amor não é um drama - Nem sorte ao jogo, nem azar no amor!

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Desde a altura em que o famigerado Camões, hábil com a sua pena, descreveu o amor como um contentamento descontente, que se desconhecem interpretações menos ansiosas, depressivas ou sádicas sobre o tema.
O amor, numa perspectiva romântica, surge mais vezes associado à loucura, morte e destruição do que à felicidade, como seria expectável.
Tudo terá começado quando Adão comeu a maçã, estimulado por Eva, que não sendo vegana, preferiu o “inferno” a um marido ignorante.
A Bíblia diz deles, que pagaram a fatura, e sofreram agruras, nós aprendemos com eles, que essa fatura não prescreve.
A literatura foi ao longo do tempo fabricando amores e amantes sempre fatais, desesperados e sangrentos.
Desde que tenho memória, o amor é romanceado de uma forma patológica.
No gira-discos do meu pai, Vinicius de Morais cantava que “o amor só é bom se doer”, que o amor implica sacrifícios, que castra, poda e faz sofrer.
Os livros que li, não falavam de amor saudável e equilibrado. Nada que li em romances era sobre amor que edifica ou constrói.

Pelo contrário.
O amor é de perdição, retratado como algo destrutivo, doentio, que justifica e tolera o egoísmo e o sentimento de posse.
A nossa cultura, não nos preparou para o amor, preparou-nos para aceitar apaixonadamente o sofrimento e o abuso.
Habituamo-nos a “medir” o amor pelo tanto que faz sofrer, pelos sacrifícios, por aquilo a que nos sujeitamos ou abdicamos.
Temos a cultura do “Azar no Amor”, do “Não tenho sorte com os homens”, das “Mulheres são todas iguais” e dos “Homens só querem sexo”.
Vivemos passivamente à mercê da nossa má sorte, ignorando que ela é apenas o resultado dos comportamentos desajustados que adotamos face aos nossos relacionamentos.
Nós temos responsabilidades sobre as nossas escolhas, sobre as pessoas que permitimos entrar nas nossas vidas e sobre aquilo que aceitamos.
Quando não somos capazes de ajustar o nosso comportamento aos resultados que pretendemos, continuamos a obter resultados indesejados.
Frustrações, desilusões e sofrimento amoroso, não são portanto a consequência de um destino negro forjado por divindades perversas.
Deus, está demasiado ocupado para intrometer-se em amores alheios, e na sua infinita misericórdia, não consta que os prejudicasse.
A “sorte” no amor não muda sem que o nosso comportamento mude também.
Ter a consciência de que a nossa “sorte” é algo em que podemos intervir e transformar ( ainda que com ajuda psicológica) faz de nós, aquilo que efectivamente somos, semi-deuses, orientados para o sucesso.

 

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