Sociedade

“A maior dificuldade não é educar os animais, mas sim os seus donos”

• Favoritos: 64


Apesar do município ter um regulamento que pune quem não apanha os dejetos dos animais de estimação e disponibilizados equipamentos em várias ruas e jardins, as fezes saltam à vista nos passeios e jardins de S. João da Madeira.

Não há registo de qualquer processo relacionado com estas infrações segundo apuramos junto de fonte do Município - que revela não existir qualquer queixa por parte de populares. É no Parque Nossa Senhora dos Milagres, em S. João da Madeira, que Francisco Lopes, 52 anos, costuma passear o seu fiel amigo. Ali, além de ser um espaço “privilegiado”, e que permite ao seu animal correr em liberdade, lamenta que ainda existam maus exemplos de pessoas que ali se deslocam com os animais e não apanham dos dejetos na relva ou passeio. “Não é por falta de informação. Já temos bem a consciência de que é algo obrigatório. Não há explicação para este comportamento”, refere a ‘O Regional’.
Para este sanjoanense, o que poderá estar a faltar é uma equipa “do município, em colaboração com a provedora dos animais”, cargo que existe desde 12 de fevereiro de 2021, para “sensibilizar e fiscalizar estas situações frequentes um pouco por toda a cidade”, enfatizou.
Apesar da autarquia ter instalado, recentemente, e em diferentes pontos da cidade, novos dispensadores/recetores de sacos para recolha de dejetos caninos, os donos “teimam” em não dar ouvidos às reclamações. Uma situação sujeita a coimas, que vão de 30 a 300 euros, no caso de pessoas singulares e 60 a 600 euros, no caso de pessoas coletivas, de acordo com o Regulamento de Resíduos e Limpeza Urbana de S. João da Madeira.
Complementarmente, a autarquia decidiu passar a adquirir sacos em material biodegradável para disponibilizar nesse tipo de equipamentos, diminuindo o impacto no ambiente.
“Trata-se de desleixo, abuso e irresponsabilidade, mesmo depois de serem chamados à atenção”. É desta forma que um morador na Rua João de Deus, em S. João da Madeira, se manifesta contra a atitude de alguns proprietários que, várias vezes ao dia, vêm trazer os seus animais de companhia à rua para as “necessidades fisiológicas” ou para um simples passeio. “Saem de casa, permitem que o animal faça ali, o que tem que fazer, e quem vier que pise ou esmague com os pés”. Revoltado, acrescenta: “não levam um saco para recolher os dejetos, para bem da cidade e do meio ambiente”. Este morador pediu reserva de identidade, diz que, por se ter incomodado com moradores da rua, “fico com a sensação de que eles ainda têm razão”. Em frente, no jardim do Tribunal, Ana Pinho mostrava também a sua indignação. “Além da imagem que dá a quem vem ao tribunal revoltava-me, pois já vi pessoas a sujarem-se”.
Mas estas situações não são caso único. Na rua 11 de Outubro, Rua Júlio Diniz, Avenida da Liberdade, Renato Araújo, os dejetos de animal são bem visíveis. Se uns falam em falta de campanhas de sensibilização, existe quem não atribua qualquer responsabilidade ao município, mas sim aos donos dos animais. “A autarquia até dá os sacos. Agora só falta pedirem para virem levantar os cocós. Eu também não vou pedir gel de banho ou produtos de higiene pessoal nem sacos para o lixo doméstico à câmara”, conta.

Ar­tigo dis­po­nível, em versão in­te­gral, na edição nº 3875 de O Re­gi­onal,
pu­bli­cada em 20 de janeiro de 2022

64 Recomendações
213 visualizações
bookmark icon