Sociedade

Há mais de 600 pessoas a viverem sozinhas na cidade

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Fechados em quatro paredes, S. João da Madeira tem mais de 600 pessoas, com mais de 65 anos, a viverem, sozinhos. Homens e mulheres vêem-se abraçados com a dor da solidão, o maior dos “fantasmas”, porque, apesar da idade, ainda têm sonhos.

É a realidade de Maria Martins e de muitos sanjoanenses. Uma vida solitária, desde que maridos ou familiares partiram. De acordo com informações dos serviços da ação social do município, o número de famílias unipessoais com 65 ou mais anos, a residir em S. João da Madeira, é de 604.
De acordo com a operação Censos Sénior 202,1 realizada pela Guarda Republicana (GNR), em outubro desse ano, com o objetivo de identificar a população idosa, que vivia sozinha, isolada, dava conta que 44.484 idosos que vivem sozinhos ou isolados ou em situação de vulnerabilidade – deste total, 1.480 residem no distrito de Aveiro.
Tratou-se de uma operação levada a cabo em todo o território nacional, tendo sido efetuadas 172 ações em sala e 3.431 ações porta a porta, abrangendo um total de 19.812 idosos.
Aos 88 anos, as pernas de Maria Martins, que foi funcionária da antiga PT mais de 30 anos, em S. João da Madeira, já lhe falham. “Acabamos por aprender, com o tempo, a viver sozinhos. Temos uns dias melhores e outros piores, mas, enquanto estamos vivos, é bom sinal”, graceja ao telefone. Revela que a solidão aumentou com a partida do irmão há cerca de 16 anos, que vivia na mesma casa. As noites são para si aquilo que mais lhe custa a enfrentar. “Pensamos muito na vida. As pessoas que podiam visitar-nos e não o fazem, medo de não acordarmos vivos. Durante o dia, ainda falamos com as pessoas, agora, durante a noite, só mesmo com a companhia da televisão”.
Apesar de viver só, estava habituada a sair praticamente todos os dias de casa, onde se incluía a ida obrigatória ao cabeleireiro. Só que, com a pandemia, tem ficado mais tempo está fechada em casa. “Se me pega o vírus, morro logo. Eu em abril vou fazer 89 anos. Quero continuar a viver”. Uma vizinha compra-lhe os bens essenciais e deixa-os em casa. “Depois trato de tudo. Tenho tempo”.

Ar­tigo dis­po­nível, em versão in­te­gral, na edição nº 3874 de O Re­gi­onal,
pu­bli­cada em 13 de janeiro de 2022

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