Sociedade

Máscara sem Rosto - 13 - “A comunicação com os doentes é a parte mais gratificante do nosso trabalho”

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Assistente Operacional na Cirurgia de Ambulatório no Hospital da cidade nunca pensou em mudar de emprego e repete o “nunca” várias vezes.

A Assistente Operacional na Cirurgia de Ambulatório Maria das Neves passa dias e noites no primeiro piso do Hospital de S. João da Madeira. Para trás ficou o sonho de ser enfermeira. Quando surgiu a oportunidade de trabalhar no hospital não hesitou. Entrou para o serviço de medicina em 1998.
Durante 20 anos o piso da Medicina no Hospital São Sebastião, na Feira, foi a sua “segunda casa”. Apoiava médicos e enfermeiros, fazia o transporte de doentes para a realização de exames complementares de diagnóstico e conversava com eles. “As conversas ajudam na sua recuperação. Nesta profissão a comunicação com os doentes é a parte mais gratificante do nosso trabalho. É maravilhoso arrancar um sorriso de quem está em sofrimento”, assume.
Nos últimos anos, desempenha as suas funções no serviço de Cirurgia de Ambulatório no Hospital de S. João da Madeira. “Dois serviços completamente diferentes”. Trabalhar na medicina foi para Maria da Neves “uma escola para a vida, onde cresci como pessoa, onde aprendi a valorizar as coisas mais simples da vida”. Apesar de considerar que se trata de um trabalho “duro, desgastante, emocionalmente, e muito mal pago”, o serviço de medicina permitiu-lhe ser uma pessoa diferente. “Aprendemos a respeitar as pessoas mais idosas, pela sua história de vida que já viveram, a profissão ajuda-nos a não julgar ninguém, e quanto aos mais novos, é bom saber da motivação e dos sonhos que ainda têm para fazer”. A medicina é para esta profissional um lugar que ficará para sempre no seu coração e espera um dia poder voltar. “São doentes, que, por vezes conhecemos num internamento, e que a sua estadia no hospital se torna longa, em muitos casos durante anos, permite-nos uma ligação especial à pessoa, às suas histórias, vidas que são exemplos para cada um de nós”.
A sua integração no hospital não foi fácil. “Tive que criar uma barreira de defesa contra a adversidade. Ver a morte todos os dias à nossa frente marca-nos muito. Acabamos, em muitos casos, por sofrer mais do que as pessoas que choram. Mas nós também choramos”.

Ar­tigo dis­po­nível, em versão in­te­gral, na edição nº 3873 de O Re­gi­onal,
pu­bli­cada em 6 de janeiro de 2022

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