Sociedade

Passagem de ano sozinhos e ligados por videoconferência

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Foi um fim de ano “muito diferente” para alguns sanjoanenses ou para quem trabalha em S. João da Madeira. Há quem tenha ficado sozinho, em casa, e a comida chegou à porta. Outros estiveram ligados por videoconferência

António Pinho vive sozinho, em S. João da Madeira, mas este arranque de ano foi sem vivalma em sua casa. “Confesso que não sei como fiquei infetado. Fiz um teste rápido para estar em família na passagem de ano e para meu espanto deu positivo”.
Aquilo que seria uma noite em família, e mais tarde com amigos, tornou-se em dias de isolamento. “Foi um fim de ano muito diferente”, e confessa mesmo que estão a ser dias “com empregados para tudo”, pois a dispensa não estava preparada para estas férias forçadas, enfatizou ao telefone a ‘O Regional’. Com sintomas ligeiros, a mesa da consoada ficou aquém do que esperava. “Deixaram-me o bacalhau e algumas iguarias na porta” que não tiveram o paladar de outros anos. “É uma sensação estranha que, ao fim de dois anos de pandemia, tenho dificuldade ainda em lidar”. António confessa-se um homem ansioso, por estes dias. “Lido mal com a doença, com o não sair de casa, com o medo de contagiar alguém”. Apesar de estar vacinado com as duas doses, “não me safei ao vírus”, diz.
Lembra que já o ano passado muitos conhecidos, e até familiares, tinham testado positivo à doença. “Fico com a ideia que este ano somos mais. Cada telefonema que me fazem há alguém que se encontra ou tem familiares como eu”. Nestes dias em que tem estado “fechado em casa”, diz que tem refletido na importância destas datas e da família. “Até, simpaticamente, alguns vizinhos, conhecedores da situação, vieram deixar-me alguns tradicionais fritos da época”, frisa.

Carolina Coelho esteve isolada desde o dia 27

Carolina Coelho reconhece que já está a dar em doida. “É um tédio não ter nada para fazer. Os dias são sempre iguais, as horas custam a passar”, conta a jovem. Está em casa de amigos que também testaram positivo. Este “apartheid covidário”, como lhe chama, já dura desde o dia 27. ”Inicialmente não tive sintomas. Depois surgiram com força, e tudo indica tratar-se da nova variante Ómicron”.
O isolamento desta profissional de saúde impediu-a de estar com a família. Valeram-lhe as chamadas de videoconferência com os pais e os irmãos e os foguetes nas redondezas, para se “lembrar que estávamos a entrar num novo ano”, assegura.
Em S. João da Madeira, não é conhecido o número de pessoas infetadas atualmente com covid-19. De salientar que em Portugal os números de testes e novos casos de infeção pelo SARS-CoV-2 bateram recordes nas últimas duas semanas, mas a quantidade de pessoas internadas está a cerca de um terço do que se verificava há um ano.
O recorde de novos casos diários de contágio pelo SARS-CoV-2, atingido a 31 de dezembro de 2021, foi antecedido de um recorde absoluto de testes.
Entre o período de 20 de dezembro de 2021 e 3 de janeiro de 2022, foram diagnosticados 178.569 novos casos de infeção. Recuando um ano, surgiram 55.467 novos casos no mesmo período. O aumento é superior a 220 por cento.

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