Sociedade

“‘O Regional’ em S. João da Madeira representa um papel como mais nenhum [jornal] prestou nas suas terras”

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O professor Ismaelino despede-se agora do nosso jornal, onde assumiu, num acaso e sem querer, as funções de Chefe de Redação. Nesta entrevista da vida de professor, político e dirigente dos bombeiros, e não poupa nos elogios a José da Silva Pinho.

Professor de profissão. Hoje, quando encontra ex alunos, que memórias lhe vêm?
Todas as circunstâncias em que eles se manifestaram. Ainda noutro dia, um aluno engenheiro, a propósito do que viu numa entrevista minha ao semanário O Concelho de Estarreja, faz referências a mim como um professor que nunca mais esqueceu e que era muito adiantado para o tempo. Um outro também se referiu a mim em termos muito elogiosos em relação à maneira como eu os tratava e ensinava.

A sua mulher também foi professora. Falava-se muito de educação, em casa?
Sim, contávamos os episódios da escola, tomávamos providencias em relação ao que se contava. Exprimíamos as nossas opiniões em relação aos factos.

E era uma casa com muitos livros?
Ainda continua a ser. Por acaso, uma vez que tenho 90 anos e pouco mais tempo cá andarei, estou a desfazer-me desses livros dando aos netos e netas, para os livros terem um bom destino.

“Quando fui para a Câmara, os meus alunos e alunas queriam protestar por eu os ter abandonado”

Foi Delegado Escolar. Tem acompanhado a vida escolar de S. João da Madeira?
Muito pouco. As instituições que existiam desapareceram, a Delegação Escolar desapareceu, agora são as escolas que se agrupam. De modo que o delegado escolar superentendida todas as escolas, jardins de infância e cursos de analfabetos, de adultos era um trabalho muito interessante. Isso fez com que deixasse de dar aulas e passasse a ser somente o delegado escolar. A respeito de deixar de dar aulas, lembro-me que quando fui para a Câmara como vice, os meus alunos e alunas, queriam ir à Câmara protestar por eu os ter abandonado, tiveram de ser contidos por outros professores da escola. Ficaram tristes e aborrecidos.

Então, não era um professor autoritário...
Não, não...

Antigamente, o professor era visto como uma autoridade. Hoje não acontece tanto. Que alterações identifica na relação entre os pais e os professores?
Os pais para ir à escola era sempre um castigo, tínhamos que os chamar várias vezes para que tivessem influência no comportamento dos filhos. Às vezes, apareciam indivíduos que não acediam aos nossos pedidos, mas no fim do ano se o filho não passasse, já apareciam para barafustar e insultar muitas vezes o professor. Hoje não faço ideia do que se passa nas escolas, mas acho também que os professores – os que são por missão – têm em conta a educação dos seus alunos e olharão certamente para a necessidade de chamar os pais a completar e não estragar o que a escola faz. Os tempos são outros...

Ar­tigo dis­po­nível, em versão in­te­gral, no suplemento inserido na edição nº 3872
de O Re­gi­onal, pu­bli­cada em 1 de janeiro de 2022

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