Sociedade

Com os pés na Terra - Moisés Ferreira

• Favoritos: 1


Que relação tem atualmente com S. João da Madeira?
É em S. João da Madeira que continuo a fazer a minha vida nos dias em que não estou em Lisboa. É aqui que está a minha casa, a minha família, muitas das minhas relações sociais, é aqui que saio à noite para jantar ou beber um copo, é aqui que vou ao mercado…

A emancipação concelhia de 1926 trouxe mais vantagens ou desvantagens?
Uma população reivindicou ser dona do futuro do seu território e do seu futuro comum e conseguiu construir um novo concelho. Isso traz sempre mais vantagens que desvantagens.

Como vê o desenvolvimento da cidade, nos últimos anos?
S. João da Madeira conseguiu desenvolver as suas infraestruturas relativamente cedo, mas não tem conseguido descolar da mera política de betão e cimento. A Praça Luís Ribeiro é feita e desfeita de x em x anos, mas o que realmente é preciso é criar corredores verdes por toda a cidade e articular a mobilidade suave com uma rede de transportes públicos eficaz, incentivar a criação cultural para que a nossa criatividade não tenha de abandonar concelho, uma política social forte para que ninguém tenha de viver na rua ou na pobreza.

Que imagem tem do povo sanjoanense?
É um povo de trabalho. Com tudo o que isso implica: a exploração laboral e as dificuldades de vida. Este povo de operárias e operários é que cria a riqueza, no entanto têm dificuldades em pagar rendas especulativas, muitos são pobres apesar de trabalharem 40 e mais horas por semana.
É um povo trabalhador e injustiçado historicamente. Olha-se para a memória da cidade e quem figura no panteão são os industriais e não os operários. É preciso fazer justiça a este povo e começar a pagar-lhe o que ele realmente produz.

O que gostaria de ver mudar em S. João da Madeira no quadro das eleições de janeiro?
Como a lista seria muito grande deixo quatro medidas: uma política de habitação que combata as rendas especulativas; a requalificação integral da Linha do Vouga; o aumento substancial do salário mínimo e médio; uma política social que retire todas as pessoas das situações de pobreza ou de sem-abrigo. Todas estas medidas são possíveis e concretizáveis. Não é utopia. É o que a realidade exige de nós.

Deputado na Assembleia da República

6 visualizações
bookmark icon