Opinião

Coisas várias

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Mais um muro
Há alguns dias assistimos a uma crise entre a União Europeia e a Polónia. O governo polaco foi acusado de violar regras europeias com as suas “reformas judiciais”. Governantes de vários países europeus, consideraram o regime polaco antidemocrático e recomendaram que saísse da U. E. A Presidente da Comissão Europeia falou de sanções. De repente tudo mudou. Bastou àquele governo começar a: expulsar refugiados; impedir a possibilidade de asilo; agredir com balas de borracha e canhões de água centenas de pessoas fugidos da guerra e da fome. Da noite para o dia o regime polaco passou de besta a bestial!

Vergonha
Há 30 anos caiu um muro com 150 Km (o muro de Berlim) e os seus construtores foram diabolizados. Hoje temos diversos muros em diversos países, muitas centenas de quilómetros de fronteiras muradas: nos Estados Unidos com o México; nas colónias espanholas do Norte de África com Marrocos; na França, em Calé, com a Inglaterra; em Israel com a Palestina; na Grécia com a Turquia; na Polónia com a Bielorrússia e outros mais. Não deviam estes muros chamarem-se “muros da vergonha”?
Hipocrisia
A hipocrisia dos países ocidentais é brutal. Primeiro fizeram guerras, intervieram com as suas forças militares, apoiaram terroristas e promoveram conflitos em países como o Iraque, o Afeganistão, a Síria e a Líbia e depois ignoram as vítimas, os povos desses países e os seus refugiados, não querem saber do direito internacional, nem das declarações do Alto-Comissário para os Refugiados da ONU nem dos apelos do Papa Francisco. Agem pelos seus interesses económicos, somente!

Os Comandos
Os Comandos voltam a ser má notícia. Os actos criminosos que um grupo de militares alegadamente praticou não permitem que se generalize e se ponha em causa a instituição militar, mas, ao contrário do que alguns afirmam, pensamos que constituem uma nódoa no prestígio das Forças Armadas.
Esperamos que o processo seja bem investigado e bem julgado. Se assim não for, o descrédito será grande!

O orçamento por cá
O orçamento do nosso município não corre o risco de ser “chumbado” como foi o Orçamento Geral do Estado. Aqui o PS tem uma esmagadora maioria, igual à que António Costa pretende para o país. A consulta às oposições é mera formalidade legal. De pouco serve sugerir ideias ou reivindicar soluções. O Orçamento será o que o Presidente quiser!
A água vai continuar cara. Muito acima do necessário para a sustentabilidade do serviço prestado aos munícipes. Não haverá uma verdadeira tarifa social. O actual PS foi muito crítico no passado com a solução concebida por Castro Almeida, mas com a chegada ao poder decidiu fazer como Frei Tomás.
O IMI não vai baixar apesar de se prever, com o crescimento da construção privada, que haja aumento de receitas.
A habitação pública, apesar de o executivo possuir um instrumento interessante de estratégia de habitação, vai andar devagarinho. Parece que finalmente se vai restaurar os 44 fogos da GNR e da PSP que há 10 anos reclamamos, mas só 22 ficarão na esfera da habitação social. Vivemos com grandes carências de habitação, mas o “Primeiro Direito” avança a passos de caracol. Assim não chegaremos a tempo de garantir as condições necessárias para fixar população e não podemos e avançar na escala do progresso!

A Misericórdia de SJM
No centésimo aniversário da Misericórdia temos duas notas muito positivas: um livro importante e uma exposição corajosa.
O Provedor José António Pais Vieira, dando continuidade a seu pai, Manuel Pais Vieira Júnior, apresentou o livro “Subsídios para a História da Santa Casa de Misericórdia de S. João da Madeira” (3.º volume), obra que descreve o período de 1999 a 2010 da vida da instituição. É um importante contributo para a nossa história colectiva. Ficam escritos, com os dois volumes anteriores de seu pai, 90 anos de história. O papel das instituições na nossa cidade foi fundamental para chegarmos aqui e por isso os sanjoanenses não podem ignorar o seu passado. A Misericórdia, criada no tempo da República, alguns anos antes da nossa emancipação concelhia, teve um papel importante no nosso progresso social. Este livro, lê-se num ápice e é importante para história de S. João da Madeira. Parabéns ao autor!
O Trilho, uma valência da Misericórdia, surpreendeu-nos com uma exposição de grande coragem que nos confronta com uma realidade que não nos podemos ignorar. Os problemas das dependências, da saúde mental e dos sem abrigo, são algo que não podemos deixar de reclamar solução. Este grupo de pessoas necessita de uma resposta regional porque nem sempre se encontra fixado no mesmo concelho, frequentemente desloca-se entre municípios vizinhos. O Trilho e a Misericórdia, assim como outras instituições locais, têm dado um importante contributo, mas não chega. Os poderes públicos têm que dar mais atenção para esta problemática!

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