Sociedade

Rostos sem Máscara - 7 - “Ser talhante é uma profissão difícil e sem interessados”

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Salvador da Costa Pinto tem quase meio século de trabalho na arte de cortar e vender carne no mercado Municipal de S. João da Madeira. Uma profissão “exigente e trabalhosa” que não atrai atualmente os jovens que vão perdendo os “mestres” talhantes.

Quem entra no talho Salvador, instalado numa das lojas do Mercado Municipal em S. João da Madeira, não sai indiferente à qualidade e apresentação de carnes diversas. A higiene e o bom gosto são outros pormenores que saltam logo à atenção.
O cheiro característico invade quem está ou passa mesmo pelo local. Atrás do balcão está Salvador Pinto, de 77 anos, que, com a mulher, abriram o talho no mercado há 36 anos.
Nasceu e cresceu na agricultura, uma vez que a sua família criava e matava animais para sustento da casa. Mais tarde, ingressou nos quadros de uma empresa de produtos químicos em Estarreja, mas há 43 anos decidiu “ajudar” a esposa nos talhos, e por cá continua com a mesma “garra” e vontade no servir o melhor que sabe. “Se hoje estou no Mercado de S. João da Madeira devo isso às pessoas de cá, que me conheciam, e que me desafiaram a vir para cá”. A carne que vende nos seus dois talhos é toda de origem nacional. “Tenho perdido muito com isso, os preços são outros”, mas tem clientes que não se importam de “pagar um pouco mais, mas reconhecem que a mesma tem qualidade”, enfatiza.
Confessa que, antigamente, a carne tinha uma outra qualidade. “Os animais eram alimentados com coisas que a terra dava, os animais para serem abatidos para consumo tinham que ter no mínimo dois anos de vida”. Agora não é assim. “Hoje vende-se menos carne, porque o consumo também não é o mesmo”.

Ar­tigo dis­po­nível, em versão in­te­gral, na edição nº 3866 de O Re­gi­onal,
pu­bli­cada em 18 de novembro de 2021

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