Rostos sem Máscara

Rostos sem Máscara - 5 -“A urgência não é um local fácil para ninguém. As emoções estão sempre à flor da pele”

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Manuela Vilar é administrativa na urgência do Hospital de S. João da Madeira. Uma mulher que dá a cara, diariamente, aos utentes que chegam a esta unidade de saúde, em situações vulneráveis.

Manuela Vilar, 62 anos descreve a sua profissão como “desgastante, mas, acima de tudo, delicada, pois lidamos, diretamente, com o ser humano em situações de fragilidade”.
Mesmo assim, apesar da dificuldade com que se depara, Vilar já trabalha neste hospital há 39 anos. “Contudo, nem sempre fui administrativa”. Iniciou o seu percurso como empregada de limpeza e, apenas quando abriu o concurso para administrativos, prestou provas na Escola Secundária Serafim Leite e conseguiu a classificação para o cargo.
Esta foi uma das mulheres que esteve na linha da frente no combate à covid 19. Foi por ela que passaram muitos dos papéis de cada pessoa, que se deslocava ao serviço de urgência do hospital de S. João da Madeira. “Não foi fácil.” Ao início, conta que “havia muitas dúvidas, inseguranças e, sobretudo, receios”, pois, no final da jornada de trabalho, também ela queria proteger a sua família. “Eu chegava a casa sempre com a sensação de estar infetada. O que víamos, o desespero das pessoas, medos…”. Mesmo neste barco difícil de controlar, a verdade é que Manuela Vilar diz, com toda a firmeza, “nunca fui de baixar os braços”.
Pela unidade passam cerca de uma centena de pessoas diariamente. “É sempre muito difícil, lidar e controlar as situações graves e delicadas, gerir a parte emocional e a profissional”. Contudo, a experiência “ajuda-nos a ir dominando sentimentos, como ansiedade e a pressão”, revela.

Ar­tigo dis­po­nível, em versão in­te­gral, na edição nº 3864 de O Re­gi­onal,
pu­bli­cada em 4 de novembro de 2021

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