Sociedade

Rostos sem Máscara - 3 - “Tiramos desta profissão muitas lições de vida”

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É uma profissão nem sempre reconhecida, mas quem a escolheu por “Amor” garante que é possível tirar lições de vida. Cuidar de idosos parece não ser uma tarefa fácil, principalmente para os que vivem sozinhos ou os que sofrem de patologias mentais.

Maria do Céu Lopes tem 56 anos, trabalha há 10 anos como técnica de geriatria, uma volta que a vida deu, e que descobriu em pouco tempo ser uma verdadeira missão.
Depois de trabalhar 40 anos num supermercado, e após o seu encerramento, decidiu tirar um curso de geriatria. “Era uma vocação que tinha, mas que despertou com o que aprendi. É preciso gostar muito, e basta pensar que há muitas pessoas idosas a viverem sozinhas, e outras em sofrimento e que, além da família, precisam dos nossos cuidados”, enfatiza esta mulher, conhecida na ACAIS – Associação do Centro de Apoio aos Idosos Sanjoanenses, como uma das que “faz de tudo um pouco”.
Cuidar de idosos não é tarefa fácil, mas nos olhos azuis da Céu há vontade de agarrar os dias e lutar pelo bem-estar dos que precisam de uma mão, de uma refeição, de higiene e um abraço.
“Dentro da instituição fazemos tudo, somos polivalentes, apoio à refeição, higienização, assistência medicamentosa, copa, alimentação, higienizar o espaço, etc.”
Quando anda nas tarefas do apoio domiciliário, as horas são de “corre -corre”, pois anda sempre de um lado para o outro, e o processo de pandemia foi tudo menos fácil. “Foram meses muito difíceis para mim, pelo menos nos primeiros 15 dias. Era tudo novo. A informação era escassa. Apesar de muito protegidas com o equipamento de trabalho que tínhamos, o ritmo tornou-se ainda mais intenso, e foi muito desgastante física e mentalmente para todos os funcionários”.
Maria do Céu enfatiza que a profissão é dura, mas muito gratificante. “Os idosos passam a fazer parte da nossa vida. Por isso vamos dando a nossa opinião, ouvindo os seus desabafos, e contando também coisas sobe as nossas vidas. Acabam por fazer parte de nós”. Mas, quando entrou na ACAIS e começou a conhecer os utentes, nem tudo foi fácil. Muitas pessoas que encontrou na instituição “conheciam-me do supermercado onde trabalhei e algumas já não as via há muito tempo. Ver as pessoas nestas situações, algumas delas identificarem-me de imediato, foi um choque, e tive de adaptar-me a esta nova realidade”.

Ar­tigo dis­po­nível, em versão in­te­gral, na edição nº 3862 de O Re­gi­onal, pu­bli­cada em 21 de outubro de 2021

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