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O ministro devia ter ficado calado!

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Há poucos dias o Ministro da Educação informou o país que nos últimos cinco anos Portugal passou a gastar mais 30 por cento em despesas de educação do que gastava cinco anos antes. É uma revelação preocupante, sem dúvida. Mais preocupante, no entanto foi verificado que o Ministro deu esta informação num tom entusiasmado, orgulhoso do seu feito e pronto a receber o aplauso de todos os defensores da escola pública.
O raciocínio do ministro parece evidente: como sou um bom ministro, como defendo vigorosamente a escola pública, como tenho força política, consegui ter mais trinta por cento do dinheiro que teve o ministro que me antecedeu.
No entanto, o cidadão que paga impostos – e que acredita na importância estratégica da educação e nas virtualidades da escola pública – fica a pensar: então se o número de alunos do nosso sistema educativo está a diminuir, como foi possível aumentar a despesa em 30 por cento? Talvez a resposta esteja em acréscimos de qualidade do sistema educativo, ou seja, na melhoria dos resultados dos estudantes. Mas também não é essa a justificação porque nos testes internacionais que medem as aprendizagens dos alunos de diferentes países, Portugal perdeu posições nos últimos anos.

“O cidadão que paga impostos não compreende que um ministro pague mais 30 por cento para obter piores resultados e para um menor número de alunos”.

O cidadão que paga impostos não compreende que o ministro tenha o desplante de gastar mais 30 por cento para obter piores resultados e para um menor número de alunos.
O problema é que os nossos políticos nos habituaram a medir a importância e a eficácia das suas políticas em função do dinheiro que gastam nessas políticas.
Perante um problema, anunciam quantos milhões irão gastar, em vez de explicar que medidas vão tomar, que resultados querem atingir e, também, quanto vão custar essas medidas.
Não estão isentos de culpa alguns analistas e comentadores que avaliam os ministros com setas para cima quando estes conseguem mais dinheiro nos seus orçamentos e com setas para baixo quando têm mais dinheiro. Tudo ao contrário do que se passa nas democracias mais desenvolvidas e onde o dinheiro público é tratado com respeito. No Reino Unido, por exemplo, a opinião pública exige aos ministros que consigam fazer mais ou melhor com o mesmo ou com menos dinheiro. Seria crucificado na praça pública um ministro que se atrevesse a pedir mais dinheiro quando tem menos alunos e quando consegue piores resultados.
A preocupação que deixo registada não significa qualquer desvalorização da importância da educação. O que não aceito é que se meça o apego à escola pública pela quantidade de euros que a educação custa, mas sim pela qualidade dos resultados alcançados pelos nossos estudantes.
Como o atual ministro não tinha resultados para apresentar no que respeita à aprendizagem comparada dos nossos alunos, optou por mostrar a sua eficiência a gastar dinheiro.
Mais lhe valia ter ficado calado.

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