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“Foi a época mais difícil de gerir em toda a minha carreira”

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Apesar de não ter atingido o objetivo de chegar à fase de acesso à 1ª divisão, Cláudio Alves, treinador da equipa sénior feminina de andebol da ADS faz um balanço positivo da época. A ‘O Regional’ recorda que foi um ano atípico.

Na hora da despedida do clube, que balanço faz da época?
Apesar de não termos atingido o objetivo, que seria disputar a fase de acesso à 1ª divisão, considero que, com as dificuldades que tivemos ao longo da época, dignificamos o clube com a presença na fase final e com a presença nos quartos de final da Taça de Portugal, onde fomos eliminados pelo Madeira SAD, campeão nacional. Como era nossa ambição, jogamos contra as melhores.

A pandemia prejudicou o trabalho contínuo. Como foi feita a gestão do plantel com essas condicionantes?
Foi a época mais difícil de gerir em toda a minha carreira. A covid-19 foi muito desgastante e acabamos em esforço. Mas, aprendi imenso a gerir e a ultrapassar as dificuldades, focando-me nas soluções. O plantel já era curto e fomos perdendo gente pelo caminho: abandonos, lesões, faltas a treinos por questões profissionais, entre outras razões. Felizmente, conseguimos recuperar as Sub-18, que vieram ajudar a minimizar essas perdas. No entanto, tivemos um plantel que nos fez sonhar, onde a Maria Leite fez uma época muito consistente, a Suelma a ser uma das melhores guarda-redes a atuar em Portugal e as mais novas a mostrarem o seu valor.

Esta experiência na Sanjoanense foi uma aposta ganha?
Obviamente que sim. Foi uma honra representar um clube tão eclético como a ADS. Trabalhei com pessoas que tudo fizeram para que nada nos faltasse: Pedro Santos, Miguel Silva, João Paulo, Rui Andrade, Ema Bastos e Ivo Almeida. As atletas que tive ao dispor fizeram-nos sempre acreditar que iríamos discutir a subida até ao fim. Esta equipa tinha capacidades para discutir qualquer jogo com qualquer adversário em Portugal, mas, para isso, seria sempre necessário um compromisso a outro nível de todos. Foi um gosto enorme ter sido treinador destas jogadoras e espero ter ajudado na sua evolução.

Os objetivos foram alcançados?
A partir da saída da nossa principal jogadora, a brasileira Ramona, em dezembro, ficamos com menos soluções. Só quem não for sério é que não vê que foi uma enorme perda para um plantel tão curto. Além disso, com algumas jogadoras influentes a efetuarem um treino por semana, os objetivos foram-se tornando cada vez mais difíceis. Mesmo assim, não deixamos de tentar estar entre as melhores, tendo a ajuda das Sub-18, que se juntaram ao grupo. Mas, não foi suficiente.

Há futuro para o andebol feminino na Sanjoanense?
Sem dúvida que sim. Haja vontade, união, lealdade e mais compromisso. As bases de um bom futuro estão lá. As mais novas são jogadoras com um enorme potencial e as seniores, apesar de poucas, são de um enorme valor.

Que caminho vai o Cláudio seguir?
A única coisa que tenho definido é querer continuar ligado ao treino. Aqui, é onde me sinto bem e sou feliz. Gostaria de continuar ligado ao andebol feminino, onde faz falta gente com experiência para o ajudar a crescer e alcançar o seu devido lugar, mas ambiciono a 1ª Divisão. No entanto, não é uma obsessão, e se for convidado para treinar uma equipa masculina aceitarei com todo o gosto, até porque é onde tenho mais experiência. Mas, desde que estejam reunidas as devidas condições, aceitarei um bom desafio. Dou cada vez mais valor ao meu tempo e ao andebol ‘à séria’, que precisa de muito compromisso e dedicação.

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