Sociedade

Recinto de basquetebol vira tela e está a ser pintado

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Há uma obra a ser pintada no campo de basquetebol do Parque Ferreira de Castro, que se vai juntar ao circuito de arte urbana da cidade, que surgiu no Hat Weekend. É a primeira de três intervenções artísticas, que deverão estar concluídas em setembro

A intervenção artística começou a ser desenvolvida na terça-feira ao final da tarde, no recinto de basquetebol daquele parque da cidade, sendo da autoria do Projeto Ruído e dando continuidade ao Circuito de Arte Urbana do Hat Weekend, que começou em 2018.
A diretora do Museu da Chapelaria, Joana Galhano, recorda que o circuito, que continuou em 2019, “tinha como foco muito específico o chapéu e a homenagem aos chapeleiros”. Agora vai olhar também “para outros elementos identitários da cidade”, sendo que a intervenção no parque Ferreira de Castro ainda é sobre a chapelaria, mas está previsto que as seguintes não sejam.
“Queríamos também fugir do conceito tradicional de arte urbana em edifícios”, sustenta Joana Galhano sobre a escolha do espaço para esta intervenção que está a ser feita pelo Projeto Ruído.
“Achamos que um trabalho num campo de jogos, que é um espaço que atrai as camadas mais jovens, também era um espaço ideal não só de valorização da história, mas de valorização do próprio parque”, acrescenta, manifestando a vontade de se fazer uma “sensibilização a estas camadas para aquilo que é parte da sua identidade”.
Nesse sentido, o campo de basquete apresentou-se como “elemento diferenciador”, sendo que será intervencionado no piso e em toda a envolvência, desde as tabelas às bancadas, naquilo que Joana Galhano considera que “acaba por ser também um trabalho de qualificação”, que renovará o espaço e pode atrair novos públicos e turistas a S. João da Madeira.
Quanto à escolha dos artistas, a responsável justifica que se prendeu com o facto de ser um projeto novo, ainda que ambos sejam já muito conhecidos na arte urbana. Por um lado, “têm uma linha nova e diferenciadora” e, por outro, “fazem, muitas vezes, ligação com as camadas mais jovens”. Ambos também já tinham trabalhado na cidade (no mural de Salgueiro Maia).
Quanto ao local das próximas intervenções, Joana Galhano informa que uma será no centro da cidade, perto da praça, “num espaço que também se quer renovado e que também irá ter alguma intervenção em termos de obra”, e a outra será na zona de Fundo de Vila. Serão levadas a cabo por outros artistas e deverão estar concluídas no início de setembro.
“Queremos mostrar diferentes estilos artísticos, diferentes formas de olhar e valorizar a cidade, procurando alguns artistas já conceituados, mas também trabalhar com jovens artistas que se estão agora a lançar e já têm um trabalho muito interessante”, indica Joana Galhano.
A responsável explica que o objetivo é criar um circuito que cative o turismo que se dedica à arte urbana, recordando que isso já está a ser trabalhado a nível desportivo, com circuitos de caminhadas e corridas.
“Vamos tendo novas rotas” e “podemos trabalhar diferentes temáticas”, diz Joana Galhano, justificando que S. João da Madeira tem “personalidades incríveis” e ofícios que podem ser retratados.
O Projeto Ruído foi criado em fevereiro de 2021, sendo o culminar de 10 anos de colaboração entre Frederico ‘Draw’ e Rodrigo ‘Contra’.
Desta vez, estão a “usar a superfície em pavimento como se fosse uma tela e [a] fazer pintura”, explica Rodrigo. O trabalho do Projeto Ruído é constituído por “uma parte figurativa e uma parte abstrata”, sendo que Frederico desenvolve a primeira e Rodrigo a segunda.
Os artistas fizeram uma visita ao Museu da Chapelaria, onde ficaram a par da história e do processo de fabrico do chapéu.
Frederico explica que a imagem que estão a pintar “é quase o movimento de saudação que se fazia com o chapéu”. “Percebemos a importância do chapéu quase como status social e, portanto, o que vamos fazer é uma imagem que quase saúda”.
A intervenção iniciada na terça-feira durará cerca de cinco dias.
O trabalho do Projeto Ruído assenta, sobretudo, em pinturas de mural. Já trabalharam em vários pontos do país, em aldeias com 20 habitantes e cidades grandes, passando por Bragança, Viseu, Marinha Grande, Castelo Branco, Mortágua, entre outras localidades.

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