Opinião

O associativismo na pré-campanha eleitoral

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O exercício de cidadania não fica condicionado pelas eleições autárquicas.
Os problemas dos cidadãos, quer individuais, quer coletivos, têm neste período que se avizinha, uma janela de oportunidade de serem transmitidos aos candidatos autárquicos.
A todos eles, mesmo para os que já exercem cargos no executivo municipal.
A revindicação confunde-se muitas vezes com a crítica.
Durante meses, representando interesses particulares ou associativos, alguns munícipes vão apresentando as suas questões, uns de forma mais suave, outros de modo mais intempestivo. A maioria em discurso direto, em sede própria, procurando encontrar respostas junto do poder autárquico.
A discórdia na solução encontrada faz o assunto saltar para o conhecimento público.
Muitas vezes é a inação que provoca o desespero.
É frequente aparecerem nas páginas dos jornais, cidadãos, reconhecidos membros de associações da mais variada índole (ambiental, apoio a animais, culturais, recreativas, desportivas, solidariedade social, moradores, comercial, industrial), a exporem as suas ideias, ou os problemas encontrados no exercício do seu associativismo e a aproveitarem essa oportunidade para apontarem uma possível resolução do problema.
A maioria das vezes, este modo de agir é mal interpretado e o processo arrasta-se durante anos nos corredores das autarquias.
Sem cronologia, nem ordenação factual, isto não é um resumo das relações tensas entre o poder político e a cidadania, protagonizada por ativistas ambientais, ou por membros de associações desportivas, ou por ativistas da defesa dos animais. O que importa elevar neste confronto, é que os dirigentes associativos, mesmo em regime voluntariado, são hoje mais conhecedores dos seus direitos de cidadãos e pretendem colocar isso na negociação com o poder político, obrigando-o a dar respostas a tempo e horas, com fundamento e qualidade para os problemas que vão surgindo.
A técnica da política é estudar e aplicar medidas que permitam ir encontrando soluções para satisfazer as necessidades desses cidadãos. Se o grau de exigência ou de contentamento for baixo, tudo fica resolvido, se pelo contrário, o nível de cidadania for elevado não é qualquer solução preconizada que será bem aceite pelos dirigentes dessas associações, que exigem políticas públicas adequadas para o bem-estar da comunidade, na qual associação que representam está inserida.
É no final de mandato autárquico, quando todos os candidatos estão em pé de igualdade e pretendem visitar as diversas associações, que os constrangimentos de uns passam a ser um trunfo para outros. A vontade de agradar aos eleitores, ajuda autarcas em exercício a esquecer divergências e muitas vezes a prometer o contrário daquilo que foi a ação. Deixam a promessa, os munícipes querem o compromisso e a intenção não chega a tanto.
O problema é quando são muitos a apontar críticas e o descontentamento passa para a generalidade da população.
O tempo é de pré-campanha eleitoral.
É tempo de ouvir e ser ouvido.
Receber as várias candidaturas, transmitir as necessidades, as dificuldades, apresentar os projetos, as melhorias pretendidas.
Escutar.
Ouvir as propostas para os problemas levantados. Ouvir o programa específico.
Tirar ilações.
Esperar pelo resultado das eleições.
Um novo mandato autárquico inicia-se. Começa tudo de novo.

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