Opinião

Os Candidatos Autárquicos

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Foi recentemente publicado um estudo acerca dos valores dos portugueses, por comparação com outros 33 países europeus. A partir deste estudo podem conhecer-se crenças, preferências, atitudes, valores e opiniões de cidadãos de toda a europa.
Onde gostaria de me deter é na análise dos comportamentos dos portugueses que denotem capacidade de incorrer em custos pessoais para benefício da comunidade. Perante a pergunta “Fez trabalho de voluntariado nos últimos seis meses?”, apenas 8% dos inquiridos respondeu positivamente. É a terceira mais baixa percentagem entre os 34 países onde o inquérito foi realizado. Apenas a Sérvia e Montenegro apresentam valores abaixo de Portugal. No topo da lista aparece a Noruega (45%), a Suécia, Países Baixos e Dinamarca com cerca de 40% de respostas positivas.
Olhando para o conjunto dos 34 países, verifica-se que a percentagem de cidadãos que fazem trabalho para a comunidade é muito baixa nos países menos desenvolvidos do Sul e do leste da Europa e que nos países mais desenvolvidos do Norte e do centro da Europa há muito mais pessoas disponíveis para trabalhar em favor da comunidade.
Trago este assunto à ponderação dos leitores, a propósito das próximas eleições autárquicas. Sei que muitos cidadãos (talvez a maioria) encaram os candidatos às próximas eleições autárquicas como uma lista de pessoas à procura de “tacho”. Gente que procura cargos públicos para se governar. Eu, pelo contrário, não tenho dúvida em olhar para os candidatos autárquicos como gente disponível para trabalhar em favor da comunidade.
Em S. João da Madeira, várias centenas de Sanjoanenses irão disponibilizar-se para trabalhar para a cidade. Merecem o nosso reconhecimento por isso.
Não desconheço que alguns candidatos (uma pequena minoria) possam estar a pensar em vantagens pessoais, mas tenho a certeza de que a esmagadora maioria se apresenta às eleições movida por um impulso de serviço público que merece muito respeito. Basta pensar que apenas quatro ou cinco de entre todos os candidatos irão auferir uma remuneração. E mesmo esses, acredito eu, vão movidos pelo gosto de poder concretizar o seu projeto de cidade.
O resultado do inquérito mostrou que o trabalho em favor da comunidade está socialmente desvalorizado. Mas, dentre todos, o mais desvalorizado é o trabalho político. Infelizmente, estamos diante de um círculo vicioso: porque a política é cada vez menos conceituada, há cada vez menos gente de qualidade a aceitar participar na política; e porque há menos gente de qualidade a participar, cada vez se degrada mais a imagem dos políticos.
O apelo que faço é que os partidos políticos excluam das listas pessoas que ajudem a degradar a imagem da política. Pelo contrário, devem integrar nas listas pessoas que valorizem a imagem do trabalho político. Precisamos de pessoas de bem, conceituadas no seu círculo de relações, gente com ambição para a cidade, gente que prestigia as cadeiras onde se propõem sentar e não que procurem prestígio sentando-se nas cadeiras do poder. Uma sugestão complementar: para os órgãos deliberativos devem escolher pessoas que apreciem o debate de ideias e o confronto de opiniões; e para os órgãos executivos, pessoas com capacidade de realização, fazedores, capazes de transformar ideias e sonhos em realizações concretas.

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