Opinião

Alvorada - A atratividade

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A continuidade urbana entre São João da Madeira e as freguesias vizinhas não permite distinguir territórios. Para os menos familiarizados com os limites concelhios, a sinalética vertical ajuda-os a entender a alteração de povoação, pouco percetível pela sucessão de zonas habitacionais.
A fixação de população nas mais diversas faixas é um sinónimo da transferência habitacional que carateriza a região. É frequente encontrar população oriunda de São João da Madeira a residir nas freguesias vizinhas, o mesmo acontecendo em sentido oposto.
Recordar a querela, no passado, pelo posicionamento dos marcos divisórios entre terras pertencentes ao mosteiro de Cucujães e à paróquia de São João da Madeira, permite constatar a evolução dos tempos, no qual o limite territorial está bem definido e as populações optam por residir no concelho que mais lhes aprove.
O magnetismo de São João da Madeira sobre as terras vizinhas ficou patente no século XX. A emancipação concelhia e o progresso verificado, além de motivar fluxos migratórios na região, aproximou várias povoações vizinhas à singularidade local. Ficaram na história as tentativas de mudança de concelho de Arrifana, expressas por ilustres habitantes daquela Vila. Ou mesmo, os festejos de adeptos de clubes de freguesias próximas, que invadiam as ruas desta cidade, não de forma provocatória, apenas para partilhar o seu entusiasmo pelos feitos alcançados.
No século XXI, a manifestação da atratividade expressou-se em Milheiros de Poiares, no referendo de setembro de 2012. A população, através do voto em urna, indicou claramente a sua vontade em pertencer ao concelho de São João da Madeira. Infelizmente, o poder político não deu sequência a essa manifestação, o que é sempre de lamentar.
Nos últimos meses, tem-se assistido a um fenómeno curioso nas relações com a freguesia de S. Roque. A preocupação expressa pelo presidente de Junta da vizinha Vila, pela construção da ligação da zona industrial das Travessas à EN 227, como favorecendo aquele território e o regozijo pela abertura de ponte sobre o rio Ul, na Devesa Velha, que provocou uma reação desproporcionada no lado do concelho de Oliveira de Azeméis, com o lançamento de foguetes no dia de inauguração.
A atração territorial não é apenas revelada pela população dos concelhos vizinhos, que prefere fazer as suas compras na oferta da Avenida Renato Araújo, incluindo o centro comercial 8ª Avenida. Apesar da distância ser um pouco maior, são vários os jovens provenientes de concelhos de Vale de Cambra e Arouca que optam por aprender e praticar desporto em São João da Madeira, ou mesmo praticando atividades como a dança, conforme divulgado pela Academia Liliana Leite.
Dentro da lógica da atratividade, podemos apreciar a parceria com o Cine Clube de Arouca, encetada pela Câmara Municipal de São João da Madeira. No entanto, neste capítulo há considerações associativas que merecem reflexão. A parte da concorrência desleal com um operador privado, instalado no já citado centro comercial, caberá aos interessados analisar. O mesmo acontecendo com a capacidade de programação cultural do pessoal afeto à Casa da Criatividade. O foco ficará virado para o não envolvimento de uma associação desta cidade na referida parceria. No passado, bem recente, a APROJ organizou juntamente com o Cine Clube de Avanca várias sessões de cinema, nos Paços da Cultura.
Não se entende a mudança.
Por um lado, temos os bons exemplos, como o da Associação Ecos Urbanos, a organizar eventos e a envolver-se com valências locais. Por outro, temos o esquecimento dos voluntários locais que se dedicam ao associativismo.
O associativismo local precisa de incentivos.
De novos desafios.
Mas necessita igualmente de reconhecimento público.

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