Opinião

Alvorada - Um clube empreendedor e promotor de vida saudável

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A Associação Estamos Juntos (AEJ) está prestes a completar 35 anos de existência. Nestas três décadas e meia teve vários dirigentes e coabitou com diferentes presidentes de Câmara Municipal, dos mais variados executivos, tendo por isso, lidado com vários vereadores para a área desportiva, juventude e cultura.
As últimas duas épocas desportivas têm sido marcadas pela pandemia, significando isto, que a atividade associativa diminuiu em virtude de os espaços desportivos estarem encerrados ou com acesso condicionado, segundo as normas da Direção Geral de Saúde.
Face a este cenário e impossibilitada de organizar em moldes habituais o seu Campo de Férias e em participar no evento “Cidade no Jardim”, as receitas do clube caíram, como é compreensível.
É importante referir esta evidência contabilística, pois a capacidade de investimento da AEJ foi afetada e com isto, os possíveis melhoramentos nos espaços públicos, cedidos em devido tempo pela autarquia (sede e campos de ténis), que tinham sido efetuados com as verbas alcançadas nas referidas organizações, tiverem que ficar suspensos, até melhor oportunidade.
Esta tem sido uma caraterística da AEJ desde há três anos. À boa utilização dos espaços que a autarquia lhe confia, evidente com ações de desenvolvimento de atividades desportivas, como o ténis, esta associação juntou a promoção de modalidades inexistentes em São João da Madeira, como o triatlo e procurou otimizar a sua sede, transformando as salas para adaptação de um ginásio para treino “em seco” dos seus nadadores, adquirindo os necessários equipamentos e alargando a oferta dos compartimentos a outros atletas do clube. Acrescente-se a esta capacidade zeladora, a limpeza igualmente efetuada pelos seus diretores em três dos courts de ténis, conferindo alguma dignidade aquele espaço municipal, necessitado há muitos anos de uma intervenção digna, para se libertar do aspeto decadente, em que se encontra.
Perante estas competências, o leitor estranhará algumas notícias, informando do mal-estar dos diretores da AEJ para com o executivo municipal e poderá questionar qual o motivo para tanta discórdia?
O livre associativismo é uma das consequências do regime democrático em que vivemos, por isso, no cerne da disputa não deverá ser equacionada qualquer tentativa de reduzir essa liberdade aos seus sócios. No entanto, não pode ser negado aos mesmos o direito à indignação, pelo tratamento discriminatório que a AEJ tem sido sujeita nos últimos três anos.
Os órgãos sociais eleitos em 2018, nos quais eu estou incluído, ao tomarem posse, depararam-se com umas instalações decrépitas e desde a primeira hora definiram como objetivo melhorar essas condições. Como bom inquilino, a AEJ tratou de ir informando a Câmara Municipal das suas ambições e apresentou as principais ocorrências: infiltrações de água na sede e o péssimo estado do piso dos courts de ténis, acrescentando-se em devido tempo, a informação do escoamento do coletor municipal, por transbordo, para esses mesmos courts. A reação tardou a chegar, ou chegou tarde demais. As evidentes infiltrações, com água a escorrer para o quadro elétrico foram menorizadas, provocando um curto circuito passado uns dias, com um inicio de incêndio controlado pelos diretores da AEJ, que por acaso estavam na sede naquele momento, evitando maiores prejuízos. Durante vários meses, a sede da AEJ foi alimentada por uma puxada elétrica vinda da piscina, trabalhando a meia luz. O péssimo estado do piso dos courts de ténis, com péssima visualização de linhas e com buracos, o que provocou lesão a um atleta federado, não mereceu nenhuma intervenção, antes pelo contrário, foi recomendado à AEJ não proceder à organização de torneios. Ainda assim, conforme referido, os diretores procederam à limpeza dos ditos campos, tornando-os um pouco apetecíveis e foram surpreendidos com a descarga de esgoto do coletor. Como a reparação, com o desvio do coletor para nascente, promovida pela Câmara Municipal arrancou no início deste mês de maio, logo após a permissão da Direção Geral de Saúde para a prática de desportos ao ar livre, incluindo o ténis, a AEJ viu o acesso às instalações desportivas interrompido, ou condicionado, questionando o porquê de não se fazer as obras em período de confinamento, antecipando o salutar e gradual retomar da atividade física.
Apesar das correções efetuadas pela Câmara Municipal, naquelas instalações desportivas, o aspeto global dos courts de ténis continua a ser péssimo.
Se compararmos com outras modalidades, que usufruem de instalações municipais, compreende-se melhor o sentimento dos diretores da AEJ.
Se percebermos que, aos convites efetuados ao executivo municipal para visitar as instalações da AEJ, sobretudo, para verificarem as ocorrências relatadas, não existiu qualquer aceitação.
Se a isto tudo juntarmos a redução da verba recebida através do Contrato de Programa Desenvolvimento Desportivo, em ano de menor receita para o clube, como é compreensível pela inatividade provocada pela covid-19, entende-se melhor a sensação de asfixia, a que os diretores da AEJ consideram a que esta associação está sujeita.
À marginalização, a AEJ responderá como sempre procurou fazer na sua história: com dedicação aos seus jovens atletas, proporcionando-lhes as melhores condições para promoverem uma vida saudável.

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