Opinião

Alvorada - Quem tarde divulga, arrisca a omissão

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O meu texto editado na semana passada, intitulado “Dias sem dança”, deve ter causado estranheza aos leitores mais atentos de O Regional.
Para os mais distraídos, passo a explicar o sucedido. Na mesma edição, havia uma chamada minha para a não realização de um evento, organizado pela autarquia, alusivo ao dia mundial da dança e na última página era publicada uma breve notícia, anunciando precisamente “A cidade dança”, para os dias 29 e 30 de abril.
Pela confusão que possa ter causado, é importante escrever um pequeno esclarecimento, seguido de um breve apontamento.
Efetivamente, pelo incómodo que possa ter causado o meu texto junto dos promotores do evento, começo por enviar as sinceras desculpas aos organizadores de “A cidade dança”, na pessoa do Senhor Presidente da Câmara Municipal de São João da Madeira e da curadora, a coreografa e bailarina, São Castro.
Durante o mês de abril, fui-me apercebendo de promoções de outras cidades com eventos alusivos ao dia mundial de dança, o dia 29 de abril. Sabendo da data, estive atento aos jornais locais para saber se existia algum programa específico. No dia 22 de abril, verifiquei os dois jornais editados em São João da Madeira e nada encontrei. Com base nesta ausência de divulgação atempada, assumi que não haveria qualquer evento em 2021. Por considerar que existe na cidade um envolvimento em torno da dança, escrevi o que escrevi, sem qualquer interesse pessoal, apenas idealizando um programa para dar uma maior visibilidade às várias classes e disciplinas de dança e obviamente aos participantes.
Na noite do dia 26 de abril escrevi o texto, enviando-o para a redação. Dois dias depois, já com o jornal na gráfica, ao ler a reportagem da jornalista Cátia Cardoso sobre a Academia Liliana Leite, percebi que afinal havia movimentações para o dia mundial da dança. Ao chegar à última página do jornal fiquei esclarecido do meu erro. No dia seguinte apurei que o evento tinha sido divulgado nas redes sociais no dia 23 de abril e que à redação a informação apenas chegou no dia 27, pelas 16 horas e 46 minutos, ou seja, menos de 48 horas antes da realização do mesmo.
A promoção cultural é composta por três pilares: divulgação, qualidade do espetáculo e acolhimento ao público. Quando um destes falha, coloca em risco toda a promoção. Por ser feita em cima da hora, a divulgação de “A cidade dança” não foi eficiente, levando a que pessoas informadas tivessem desconhecimento do evento. É certo que o público alvo estava convocado.
Pelas palavras da professora Liliana Leite, há ainda alguma resistência paternal à mobilização de alunas para assistir a espetáculos. Uma forma de ajudar a contrariar essa reação, é divulgar com tempo, com visibilidade, com cartazes alusivos, os eventos. Dando oportunidade de os encarregados de educação assimilarem o conceito. Possibilitando aos filhos o apoio necessário para conhecer outras formas de expressão artística, indo além da sala de aula. O que poderá ser ajudado com uma publicação, prévia e atempada, do evento na imprensa local, que é ainda um importante meio de informação sobre São João da Madeira.
Para terminar o apontamento, atendendo a que existem, por parte da autarquia sanjoanense, boas práticas de fomento cultural, um dos pilares de politicas de desenvolvimento social de um município, seria importante alargar esse fomento a várias expressões artísticas. Perspetivando-se para o futuro o alavancar do ensino, do associativismo e do empreendedorismo, outros dos pilares necessários para estimular e concretizar o envolvimento da população em torno das mais variadas artes. Ou seja, a concretização de uma política cultural, apropriada aos renovados e acolhedores equipamentos existentes na cidade, criando-se massa crítica para assistir às diversas propostas da programação e para visitar com maior frequência as coleções de arte, com particular destaque para a dos nossos conterrâneos, Norlinda e José Lima.

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